“Ninho de cegonha” – na alta chaminé da ex telheira de Chaves – Portugal

 


“Ninho de cegonha”

na alta chaminé da ex-telheira de 
Chaves – Portugal




Esta fotografia de Mário Silva, captada em abril sob o céu límpido de Chaves, é um encontro sublime entre o passado industrial da cidade e a eterna renovação da natureza.

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A imagem foca a extremidade superior de uma chaminé de tijolo de uma antiga telheira, que se ergue verticalmente em direção ao céu.

No topo desta estrutura de engenharia clássica, encontra-se um ninho de cegonha volumoso, construído com paciência através do entrançar de ramos e gravetos.

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Uma cegonha é visível no ninho, destacando-se a sua silhueta branca e negra contra o azul profundo do firmamento.

O contraste entre a textura áspera e avermelhada do tijolo antigo e a leveza orgânica do ninho cria uma composição equilibrada, onde a verticalidade da construção humana serve agora de pedestal para a vida selvagem.

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Onde o Fumo Deu Lugar ao Futuro — O Berço da Telheira

Há na cidade de Chaves um lugar onde o tempo decidiu mudar de rumo.

O título “Ninho de cegonha” leva-nos até à alta chaminé da antiga telheira, um gigante de tijolo que outrora exalava o fumo cinzento do trabalho árduo e que hoje, em vez de nuvens de fuligem, sustenta a promessa da vida.

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Uma Catedral de Barro e Asas

Aquela chaminé, que em tempos via nascer as telhas que cobrem as casas flavienses, foi escolhida por um casal de cegonhas para ser a sua catedral.

É ali, naquele ponto onde a terra quase toca nas nuvens, que a vida se aninha com uma ternura que desarma quem passa.

O ninho, feito de ramos escolhidos um a um, é um abraço de madeira sobre a frieza da cerâmica.

É o triunfo da persistência sobre o abandono.

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A Guardiã do Horizonte

A cegonha que Mário Silva captou parece ser a fiel depositária das memórias da telheira.

De bico erguido, ela observa a cidade que cresce, os campos que florescem e o rio que corre lá em baixo.

Ela não é apenas um hóspede; é a dona de uma herança industrial que ganhou uma nova alma.

Onde antes ardia o fogo para cozer o barro, arde agora o calor materno que protege os ovos do frio da manhã.

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Poesia em Tijolo e Sol

Há uma poesia silenciosa neste enquadramento.

O azul do céu parece abraçar a chaminé com mais força, como se o cosmos celebrasse este pacto de paz entre o homem e a natureza.

Ver esta imagem é recordar que nada se perde verdadeiramente: as máquinas podem parar, as fábricas podem fechar as suas portas, mas enquanto houver uma cegonha disposta a voar alto para construir o seu lar, haverá sempre um recomeço.

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Chaves ganha, nesta fotografia, um símbolo de esperança.

A velha chaminé já não trabalha para o mercado, trabalha agora para o céu, servindo de berço à espécie que, na lenda e na realidade, nos traz sempre a alegria do que acaba de nascer.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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