"E porque hoje é domingo ...
Capela Senhor dos Milagres"
Lebução – Valpaços – Portugal
Nesta fotografia, Mário Silva
apresenta-nos uma cena de profunda tranquilidade rural, focando-se na Capela do
Senhor dos Milagres.
A Capela: Construída em
blocos de granito irregular, a capela exibe uma arquitetura simples e austera,
encimada por uma cruz de pedra.
Destaca-se o pequeno sino de
bronze suspenso sobre a porta branca, que possui um gradeamento decorativo em
ferro.
Enquadramento: À esquerda
da capela, surge uma casa tradicional, também em pedra, com uma chaminé branca
proeminente e janelas de madeira fechadas.
Um muro de suporte em pedra seca
domina o primeiro plano, onde crescem roseiras e outra vegetação rústica.
Luz e Cor: A imagem é
banhada pela luz quente do final de tarde (hora dourada), que acentua as
texturas das pedras e projeta sombras suaves.
O céu apresenta tons de azul
pálido com nuvens leves, e ao fundo avistam-se árvores altas, como pinheiros ou
ciprestes.
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O Domingo Encostado à Pedra
O título "E porque hoje é
domingo" funciona como um suspiro de alívio e uma pausa necessária.
Em Lebução, o tempo parece ter um
acordo com o granito: nada corre, tudo permanece.
A Capela do Senhor dos Milagres
não é apenas um edifício; é o ponto onde a aldeia se ajoelha perante a
simplicidade do sagrado.
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Nesta tarde de domingo, a luz
escolheu as pedras para descansar.
O sol, já baixo no horizonte de
Valpaços, acaricia a fachada áspera da capela, transformando o granito frio num
abrigo de calor e ouro.
O sino, mudo neste instante
captado, guarda em si o eco de todas as orações e o chamamento para o descanso
dos corpos calejados pelo trabalho da terra.
Ao lado, a chaminé branca
ergue-se como um sentinela doméstico, lembrando-nos que onde há fé, há também o
aconchego do lar e o pão partilhado.
As rosas que espreitam por cima
do muro são milagres pequenos, oferendas naturais que não precisam de altar
para florescer.
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O domingo de Mário Silva é feito
deste silêncio habitado.
É o dia em que o céu desce até às
telhas de cerâmica e o milagre se revela no simples facto de estarmos
presentes, sob a proteção de uma cruz de pedra e o testemunho das árvores que
tocam o azul.
Aqui, a eternidade é apenas uma
tarde que se recusa a terminar.
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A luz dourada desta fotografia
transmite uma paz quase palpável.
Para si, o domingo em Portugal
também evoca esta sensação de regresso às raízes e à quietude, ou associa-o a
outro tipo de vivência?
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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