"O Entrudo" e uma estória - Mário Silva

 

"O Entrudo" e uma estória

Mário Silva


Esta fotografia (editada) de Mário Silva, intitulada “O Entrudo”, captura a alma vibrante e caótica das celebrações tradicionais em Águas Frias, Chaves.

É uma imagem que transborda vida, contrastando a rusticidade da aldeia com a explosão de cor dos foliões.

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A composição coloca-nos no centro de uma arruada festiva numa estreita ruela de Águas Frias.

À direita, um imponente muro de pedra seca, típico da região de Trás-os-Montes, serve de moldura à cena.

À esquerda, o branco das casas e os ramos despidos de uma árvore de inverno acentuam o brilho dos disfarces.

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O grupo, composto por adultos e crianças, avança com entusiasmo.

Destacam-se:

Uma criança em primeiro plano mascarada de leão, que parece liderar a marcha com um ar determinado.

Foliões com fatos de padrões geométricos multicolores, lembrando arlequins ou figuras do careto tradicional.

Mulheres com vestidos de inspiração medieval em tons de verde e dourado.

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A névoa de confetis ou papelinhos brancos que paira no ar, conferindo um dinamismo quase mágico à imagem sob um céu azul límpido.

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O Mistério do "Leão" das Alheiras (Conto Cómico)

Em Águas Frias, o Entrudo não se pede — impõe-se.

Naquele ano, o pequeno Joselito, convencido de que o seu fato de leão lhe dava poderes de rei da selva, decidiu que a sua missão era "caçar" o lanche do grupo.

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O problema é que, em Chaves, a caça mais apetitosa não corre nos montes, mas sim pendurada nas cozinhas.

Enquanto o grupo descia a rua a cantarolar, Joselito avistou a janela da Ti’ Mindinha, aberta para deixar sair o fumo da lareira.

Com a agilidade que só um felino de sete anos possui, trepou a um pote de pedra e, por entre as grades, tentou "pescar" uma alheira que descansava no fumeiro.

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Nisto, a Ti’ Mindinha, que estava distraída a fritar filhós, ouve um rugido... bom, um "miau" mais grosso.

Ao virar-se, depara-se com uma pata de peluche castanha a tentar surripiar o enchido.

- Valha-me Santo António! — gritou ela. — Um bicho selvagem no meu fumeiro!

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Armada com uma escumadeira, a senhora correu para a janela.

O "leão", apanhado em flagrante, tentou fugir, mas o rabo do fato ficou preso numa lasca de granito do muro.

O grupo, que vinha logo atrás, estacou a rir.

O Joselito, pendurado entre o muro e o lanche, esperneava enquanto o "Czar" (o folião de vermelho à esquerda na foto) tentava desprendê-lo sem parar de rir.

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A Ti’ Mindinha, percebendo a "ferocidade" do animal, acabou por lhe dar não uma, mas duas alheiras.

- Toma lá, oh bicho! Mas da próxima vez entra pela porta, que o Entrudo é para todos, mas o rabo do leão não estica!

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E assim, o leão de Águas Frias continuou a marcha, não com um rugido de fome, mas com um troféu de carne e pão debaixo do braço.

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Texto & Fotografia editada: ©MárioSilva

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