"Telha de igreja, sempre goteja"
Mário Silva
“Provérbio antigo que se refere à ideia de que onde
existe abundância ou grandes instituições, sempre há algum benefício, sobra ou
privilégio que acaba por chegar aos que estão por perto.”
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Esta fotografia de Mário Silva, intitulada “Telha de igreja,
... sempre goteja”, é uma representação visual profunda da hierarquia e da
proximidade social no mundo rural transmontano.
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A imagem apresenta uma perspetiva de uma aldeia onde o
sagrado e o secular coabitam em estreita proximidade.
À direita, destaca-se a Igreja Matriz, com a sua alvura
realçada pela luz lateral e uma torre sineira que se ergue contra o céu limpo.
Em plano médio, à esquerda, observam-se habitações civis de
diferentes épocas — algumas em pedra tradicional, outras com acabamentos mais
modernos e elementos de construção recente.
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Ao fundo, dominando a paisagem, ergue-se uma montanha
escarpada coroada pelas ruínas de um castelo, simbolizando o poder histórico e
militar que outrora protegeu a região.
A luz quente do final da tarde banha as fachadas das casas,
criando um jogo de sombras que acentua as texturas das paredes e dos telhados.
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Onde há Abundância, Algo Goteja: A Sabedoria do
Proximidade
O título escolhido para esta fotografia remete para o antigo
provérbio popular: "Telha de igreja sempre goteja".
Esta expressão encerra uma observação pragmática sobre a
vida em comunidade e a relação com as grandes instituições.
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O Significado do Provérbio
Na tradição oral portuguesa, este ditado sugere que quem
vive perto de fontes de abundância, poder ou de instituições sólidas (como a
Igreja ou o Estado), acaba invariavelmente por beneficiar de alguma forma.
Tal como a água da chuva que escorre das amplas telhas de
uma igreja acaba por humedecer e beneficiar o solo ou as plantas que crescem
junto às suas paredes, também a influência e os recursos destas instituições
"gotejam" privilégios ou benefícios para aqueles que lhes são
próximos.
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A Composição como Metáfora
Na fotografia de Mário Silva, esta ideia é ilustrada pela
disposição física dos elementos:
A Proteção do Alto: O castelo no topo da
montanha e a igreja na aldeia são as estruturas mais imponentes.
O Acolhimento das Casas: As habitações parecem
aninhar-se sob a sombra e a proteção destas entidades.
A Sobra Beneficiária: Historicamente, estar
perto da "telha da igreja" significava ter acesso facilitado à
caridade, ao trabalho, à proteção espiritual e, muitas vezes, a uma segurança
económica que não existia no isolamento total.
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Reflexão Social
O artigo visual proposto pelo fotógrafo convida-nos a
refletir sobre como a sobrevivência das aldeias transmontanas esteve, durante
séculos, ligada a estes centros de poder.
Mesmo num Portugal moderno e mais secular, a imagem
recorda-nos que as grandes instituições continuam a ser pilares de
estabilidade.
O "gotejar" pode hoje manifestar-se através do
património preservado, do turismo religioso ou da identidade cultural que estas
estruturas conferem ao povoado, garantindo que, onde há uma "telha"
forte, a vida em redor raramente fica totalmente desamparada.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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