“O subidório no castelo de Monforte de Rio Livre” – Águas Frias - Chaves – Portugal

 


“O subidório no castelo 

de Monforte de Rio Livre”

Águas Frias - Chaves – Portugal



Esta fotografia de Mário Silva, captada no final de abril, revela uma perspetiva intrigante e algo anacrónica do interior de um dos monumentos mais emblemáticos da região de Chaves.

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A imagem apresenta, em grande plano e silhuetada, uma escada em caracol de ferro escuro.

Esta estrutura metálica e moderna ergue-se no pátio interior do Castelo de Monforte de Rio Livre, funcionando como um acesso vertical que contrasta violentamente com as muralhas de granito rugoso e secular que se veem ao fundo.

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O chão está coberto por uma vegetação rasteira e verdejante, pontuada por algumas pedras soltas que outrora pertenceriam à estrutura original.

A luz solar, intensa, incide sobre as muralhas do lado esquerdo, realçando a textura da pedra e criando um jogo de sombras que enfatiza a geometria circular da escada.

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O Subidório do Tempo — Funcionalidade vs. Memória

O título atribuído por Mário Silva — “O subidório no castelo de Monforte de Rio Livre” — carrega em si uma ironia subtil que convida à reflexão sobre a forma como intervimos no nosso património.

A palavra "subidório", termo popular para designar um local de subida, despoja a estrutura de qualquer pretensão artística, reduzindo-a à sua função mais nua: levar o visitante do chão à muralha.

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O Choque dos Séculos

Nesta composição, o olhar é imediatamente capturado pelo contraste entre o ferro industrial e a pedra milenar.

O Castelo de Monforte de Rio Livre, que outrora defendeu as fronteiras do reino e viu passar exércitos e reis, vê-se agora invadido por uma estrutura que fala a linguagem da utilidade imediata.

A escada não tenta mimetizar o passado; ela impõe-se como uma cicatriz de modernidade no rosto de granito da fortaleza.

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A Estética da Necessidade

Mário Silva utiliza a luz para acentuar este abismo temporal.

Enquanto as muralhas evocam a solidez e a permanência, a escada em caracol parece quase etérea, uma intrusão de metal que, embora facilite a experiência turística, interrompe a narrativa histórica do lugar.

O "subidório" torna-se, assim, um símbolo da nossa era: queremos o acesso fácil, a vista do topo, mesmo que para isso tenhamos de perfurar o silêncio visual do monumento.

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A Lição do Ferro e da Pedra

A fotografia não é apenas um registo; é uma crítica visual sobre o equilíbrio precário entre a conservação e a adaptação.

Ao colocar o metal em primeiro plano, o fotógrafo obriga-nos a confrontar a nossa intervenção humana no legado de outros séculos.

Monforte de Rio Livre permanece altivo, mas agora transporta este apêndice metálico que nos recorda que o presente, por vezes, tem dificuldade em dialogar com o passado sem o ferir ligeiramente.

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O "subidório" cumpre o seu papel: eleva o corpo, mas resta saber se, ao fazê-lo, não baixa o espírito daquela que é uma das sentinelas mais belas de Trás-os-Montes.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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