"O Cristo-Rei e o castelo de Monforte de Rio Livre” - Águas Frias - Chaves – Portugal


 

"O Cristo-Rei e o 

castelo de Monforte de Rio Livre”

Águas Frias - Chaves – Portugal



Esta fotografia de Mário Silva capta um momento de transformação profunda na paisagem de Chaves, onde o sagrado moderno e o histórico secular se encontram sob o céu de Trás-os-Montes.

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O Encontro de Duas Eras

A imagem apresenta um contraste visual impressionante no cume de Monforte de Rio Livre, em Águas Frias.

No centro da composição, vemos a colossal estátua do Cristo-Rei ainda em fase de construção, envolta num "casulo" de andaimes e vigas metálicas, ladeada por duas gruas que dominam a linha do horizonte.

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À direita, a Torre de Menagem do Castelo de Monforte de Rio Livre, classificado como Monumento Nacional, ergue-se como um testemunho silencioso de pedra cinzenta, parecendo agora pequena perante a escala da nova edificação.

A base do monte revela a azáfama da obra: camiões, contentores e terra batida, enquanto o primeiro plano é suavizado pela vegetação rasteira e árvores jovens, criando uma moldura natural para este embate entre o passado medieval e a vontade contemporânea.

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Fé, Saudade e Património: A Polémica de Monforte de Rio Livre

O horizonte da freguesia de Águas Frias, em Chaves, mudou para sempre.

A construção de uma estátua do Cristo-Rei com dimensões monumentais, mesmo ao lado das ruínas do Castelo de Monforte de Rio Livre, gerou um debate que divide opiniões entre o fervor religioso, o orgulho da diáspora e a proteção do património histórico.

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O Sonho que Veio do Brasil

Esta obra não nasceu de planos governamentais, mas sim do coração (e das poupanças) da comunidade.

A estátua está a ser integralmente financiada pelas economias de emigrantes que, na década de 60, partiram da aldeia rumo ao Brasil.

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Para estes benfeitores, o Cristo-Rei é mais do que um monumento: é um símbolo de gratidão e uma ponte espiritual entre a terra que os viu nascer e o país que os acolheu (onde o Cristo Redentor do Rio de Janeiro é o ícone máximo).

É a materialização do sucesso de uma vida de trabalho no estrangeiro, devolvida à aldeia sob a forma de proteção divina.

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A Questão do Património

Contudo, a localização escolhida é o epicentro da discórdia.

O Castelo de Monforte de Rio Livre, monumento nacional, goza de uma zona de proteção que visa preservar não só a pedra, mas a integridade visual da paisagem.

Os Críticos: Argumentam que a escala da estátua "esmaga" a importância histórica do castelo, descaracterizando um local de memória medieval com uma estética que consideram desajustada ao contexto transmontano.

Os Defensores: Veem na estátua um novo polo de atração turística que pode salvar a aldeia do esquecimento, trazendo visitantes que, de outra forma, nunca subiriam àquele cabeço.

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O Papel das Autarquias

Apesar de a estátua ser um investimento privado da comunidade emigrante, a infraestrutura envolvente conta com o apoio público.

A Câmara Municipal de Chaves e a Junta de Freguesia comprometeram-se a melhorar os acessos ao local.

Esta colaboração visa garantir que o novo "miradouro" seja seguro e acessível, preparando a zona para o fluxo de peregrinos e turistas que se prevê após a inauguração.

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Conclusão

Entre as gruas que elevam o betão e as pedras que contam a história de Portugal, Monforte de Rio Livre vive um braço-de-ferro entre a identidade histórica e a expressão cultural da emigração.

O tempo dirá se o Cristo-Rei e o Castelo conseguirão coexistir em harmonia ou se um acabará por ofuscar a memória do outro.

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Texto & Fotografia digital: ©MárioSilva

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