“Viburnum tinus” em floração
a poesia da Natureza”
A fotografia de Mário Silva,
intitulada “‘Viburnum tinus’ em floração – a poesia da Natureza”, é um mergulho
macro na delicadeza botânica que adorna os caminhos de Águas Frias, Chaves.
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A imagem foca-se, com grande
detalhe, numa inflorescência de Viburnum tinus (vulgarmente conhecido como
folhado-comum).
O aglomerado floral apresenta-se
como um “buquê” natural e circular, onde pequenas flores de um branco
imaculado, com cinco pétalas e estames delicados, convivem com botões ainda
fechados, que se assemelham a pérolas de tom marfim.
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O contraste é um elemento
central: a brancura das flores sobressai intensamente contra o fundo escuro e
sombreado, enquanto as folhas verdes e ovais, de textura coriácea e brilho
ceroso, emolduram a base da composição.
É uma imagem que celebra a
perfeição geométrica e a simetria oculta na flora espontânea.
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“Viburnum tinus” em floração:
A Poesia da Natureza
Há uma literatura que não se
escreve com tinta, mas com seiva e luz.
No fecho de março, quando o
inverno é já uma memória desbotada e o equinócio já estabeleceu o seu domínio,
a natureza transmontana decide publicar os seus poemas mais íntimos nos
recantos da aldeia.
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O Alfabeto das Pétalas
Nesta obra de Mário Silva, o “Viburnum
tinus” deixa de ser um arbusto de bordadura para se tornar uma estrofe de
pureza.
Enquanto os grandes pomares se
vestem de branco para serem vistos de longe e as árvores em contraluz desafiam
a imensidão do céu, este folhado-comum prefere a poesia do detalhe.
Cada pequena flor é um verso;
cada botão fechado é uma rima por vir.
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A Luz no Coração da Sombra
A fotografia revela o segredo da
sobrevivência da beleza: a capacidade de brilhar mesmo quando o fundo é denso e
obscuro.
As flores brancas parecem
constelações terrestres, guiando o olhar tal como a água límpida guia o melro
no regueiro.
É nesta harmonia entre o verde
profundo das folhas e a alvura das pétalas que reside a "arquitetura do
rincão", uma construção que, ao contrário do granito das casas, se renova
a cada primavera.
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O Ciclo que nos Une
Celebrar a floração do “Viburnum”
é reconhecer que a vida é feita de pequenas perfeições.
Na tranquilidade de Águas Frias,
este arbusto é o vizinho silencioso da galinha Ameraucana e a testemunha muda
das janelas ocre que guardam a esquina do tempo.
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Nesta "prosa de luz e
sombra", o fotógrafo recorda-nos que a poesia da natureza não precisa de
grandes palcos; basta-lhe o brilho de uma pétala tocada pelo sol de março para
nos dizer que o mundo, apesar de tudo, continua a florir com esperança.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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