"Colina do Brunheiro - a Aldeia entre as giestas amarelas e o castelo" - Águas Frias, Chaves, Portugal

 



"Colina do Brunheiro - a Aldeia entre as giestas amarelas e o castelo"

Águas Frias, Chaves, Portugal


Mário Silva




A fotografia de Mário Silva oferece uma perspetiva pictórica e cénica da paisagem transmontana, estruturada em três planos verticais claramente definidos que guiam o olhar da natureza espontânea até à pegada histórica.

Primeiro Plano: Na parte inferior da composição, destaca-se uma densa mancha de giestas em plena floração, exibindo um tom amarelo vivo e luminoso que contrasta com a folhagem verde e rústica que as rodeia.

Plano Médio: No coração da imagem, aninhada de forma harmoniosa num vale arborizado, encontra-se uma pequena aldeia rural.

O casario apresenta os tradicionais telhados de telha cerâmica avermelhada, perfeitamente integrados na envolvência florestal.

Plano de Fundo: Erguendo-se majestosamente atrás da aldeia, a encosta da colina do Brunheiro estende-se em direção ao topo, também ela salpicada por linhas amarelas de giestas bravas.

No ponto mais alto da colina, recortada contra um céu claro e suavemente nublado, ergue-se a silhueta em pedra escura de um castelo medieval, que assume o papel de sentinela eterna de toda a região.

.

O Abraço de Ouro e Pedra na Colina do Brunheiro

Há lugares no Nordeste Transmontano onde o tempo não tem pressa; prefere deter-se na encosta, respirar o aroma da terra e contemplar a harmonia do mundo.

Em Águas Frias, no concelho de Chaves, a colina do Brunheiro ergue-se como um altar natural onde a crueza da história e a delicadeza da primavera selaram um pacto eterno.

A lente de Mário Silva capta esta aliança num quadro vivo, justificando com rigor a poesia gravada no seu título: "Colina do Brunheiro - a Aldeia entre as giestas amarelas e o castelo".

.

Lá no alto, desafiando a erosão dos séculos e a passagem das nuvens, o castelo permanece como um guardião heráldico feito de pedra e silêncio.

Testemunha de eras antigas, a sua silhueta granítica vigia o horizonte com a autoridade de quem já viu nascer e morrer gerações.

Contudo, a severidade da antiga fortaleza não está isolada na sua altitude.

A montanha veste-se de uma vaidade sazonal, pintada pelas pinceladas vibrantes das giestas amarelas que explodem em flor.

Elas escorrem pela encosta como rios de luz solar derretida, abraçando a rocha dura e iluminando a rudeza do granito com uma radiância efémera, mas triunfante.

.

E exatamente ali, no coração deste abraço geométrico — entre a imutabilidade secular da fortaleza e a frescura cíclica da flor —, repousa a aldeia.

Com o seu casario pacato de telhados avermelhados protetores, a comunidade acolhe-se no manto verde das árvores, como quem sabe que a verdadeira vida se faz no equilíbrio.

Olhar para esta fotografia é sintonizar o pulsar mais íntimo de Trás-os-Montes: uma coreografia perfeita onde o homem vive protegido pela herança dos reis e embalado pelo ouro simples da natureza.

.

Texto & Fotografia: ©MárioSilva

.

.


Picanço-barreteiro (Lanius senator) - a ave migrante empaladora - Mário Silva

   Picanço-barreteiro (Lanius senator) a ave migrante empaladora Mário Silva O Pequeno Carrasco de Barrete Ruivo A viagem fora longa e exten...