"O Cavalo e a Vaquinha" - Mário Silva

 

"O Cavalo e a Vaquinha"

Mário Silva



Esta é uma imagem que celebra a serenidade do quotidiano agrícola em Trás-os-Montes, captando a dignidade dos animais que, durante séculos, foram os braços e o sustento das gentes da terra.

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A fotografia de Mário Silva, intitulada "O Cavalo e a Vaquinha", apresenta uma cena bucólica captada numa pastagem em Trás-os-Montes.

No plano médio, um cavalo de pelagem castanha robusta e uma vaca malhada de preto e branco (tipo frísia) partilham o mesmo espaço em perfeita harmonia.

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A luz de fim de tarde banha o cenário com tons dourados, acentuando a vegetação rasteira e a silhueta das árvores despidas ao fundo, características do inverno transmontano.

A composição é equilibrada, com os animais posicionados de forma a sugerir uma coexistência pacífica e uma rotina de liberdade no campo.

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Pilares de Vida e Trabalho Transmontano

O título da obra, "O Cavalo e a Vaquinha", possui uma simplicidade quase terna que esconde a enorme importância histórica e económica que estes animais representam para a vida rural em Portugal, especialmente na região de Trás-os-Montes.

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O Cavalo: A Força e a Mobilidade

Historicamente, o cavalo não era apenas um meio de transporte; era o parceiro indispensável na lida do campo.

Nas terras altas e de difícil acesso, o cavalo (ou o macho e a mula) permitia:

O Transporte de Cargas: Desde o transporte de cereais até à lenha para aquecer os lares durante os invernos rigorosos.

A Mobilidade Humana: Antes da chegada dos veículos a motor, era no dorso destes animais que se percorriam as distâncias entre aldeias e mercados.

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A Vaca: A Nutriz da Família

A "vaquinha" mencionada no título simboliza o coração da economia doméstica.

Em Trás-os-Montes, a posse de uma vaca era, muitas vezes, a diferença entre a fartura e a carência.

O Trabalho de Tração: Embora a fotografia mostre uma vaca de aptidão leiteira, as raças autóctones (como a Barrosã ou a Mirandesa) eram utilizadas para lavrar a terra e puxar os carros de bois.

O Sustento: O leite, a manteiga e o queijo eram componentes vitais da dieta familiar, enquanto o vitelo representava uma reserva financeira para as despesas extraordinárias do ano.

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Uma Simbiose Ancestral

Relacionar o tema da fotografia com o seu título é reconhecer a humanização da paisagem.

Estes animais não são vistos pelos agricultores transmontanos apenas como "rebanho", mas como membros da unidade familiar, muitas vezes tratados com nomes próprios e um carinho visível.

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A imagem de Mário Silva imortaliza este equilíbrio.

No silêncio do pasto, o cavalo e a vaca representam a resiliência de um povo que, através da domesticação e do respeito pela natureza, moldou a identidade de uma região.

Eles são o símbolo vivo de um tempo onde o ritmo da vida era ditado pelo passo do animal e pelas estações do ano.

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Texto & Fotografia:©MárioSilva

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