"O “castelo” da aldeia de Castelo,
que nunca teve castelo"
Castelo - Chaves - Portugal
Esta fotografia de Mário Silva,
capta uma curiosa ironia geográfica e arquitetónica na região de Chaves.
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A imagem apresenta uma perspetiva
de baixo para cima, focando uma estrutura imponente que coroa o topo de uma
colina rochosa e densamente arborizada.
Trata-se de um edifício de estilo
medieval-contemporâneo, construído com pedra que evoca as antigas
fortificações, mas que exibe grandes superfícies envidraçadas, denunciando a
sua natureza moderna e luxuosa.
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A vegetação, composta por
pinheiros e carvalhos em tons de verde vibrante, envolve a base da construção,
enquanto o céu limpo de azul pálido serve de pano de fundo à silhueta ameada da
torre.
A fotografia destaca o contraste
entre a aspereza da rocha, a frescura da floresta e a geometria deliberada da
nova "fortaleza".
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A Profecia Concretizada do
Nome
Há nomes que carregam consigo uma
promessa ou uma ausência.
Durante séculos, a aldeia de
Castelo, em Chaves, viveu sob o peso de um batismo irónico: chamava-se Castelo,
mas as suas gentes nunca tinham tido uma muralha para as proteger ou uma torre
de onde vigiar o horizonte.
Era uma terra definida por aquilo
que lhe faltava.
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O Encontro entre o Passado e o
Presente
A lente de Mário Silva revela
agora uma nova realidade.
O título da obra sublinha o
paradoxo — um "castelo" que não nasceu de batalhas ou de linhagens
reais, mas de um arrojado empreendimento turístico contemporâneo.
Esta nova estrutura, embora
construída de raiz, parece querer pedir desculpa à história, adotando um estilo
que mimetiza o medieval para finalmente dar à aldeia a identidade que o seu
nome sempre reclamou.
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A Arquitetura da Ilusão
O que vemos não é uma ruína
restaurada, mas uma reinvenção.
O uso da pedra bruta e das ameias
tradicionais funde-se com o luxo dos grandes vidros que refletem o céu de
Trás-os-Montes.
É a prova de que a resiliência
desta região se manifesta também na capacidade de se reinventar, transformando
a paisagem sem apagar a memória do que ela foi — ou do que sempre desejou ser.
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Um Novo Guardião na Paisagem
Ao capturar este edifício
emergindo do verde denso, Mário Silva oferece-nos mais do que um registo
arquitetónico; oferece-nos o desfecho de uma lenda local.
O "castelo" de Castelo
é hoje um símbolo de hospitalidade e de futuro, provando que, por vezes, a
Natureza e o Homem conspiram para que a realidade acabe por fazer justiça às
palavras.
Finalmente, quem chega a esta
aldeia flaviense encontra o que o mapa lhe prometeu: uma torre firme que vigia,
em silêncio, a beleza eterna da montanha.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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