“Pisco-de-peito-ruivo e Águas Frias”
Nas lentes de Mário Silva, a natureza e a tradição
transmontana fundem-se numa rima visual.
O Pisco-de-peito-ruivo, com a sua plumagem vibrante sobre os
ramos que despertam, torna-se o espelho perfeito para a resiliência da aldeia
de Águas Frias.
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O Peito de Fogo e a Pedra Fria
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No topo do ramo, o peito em brasa,
O Pisco vigia o tempo a passar.
Pequeno herói que no frio faz casa,
Com penas de fogo a nos encantar.
É o sopro de vida que a haste segura,
Nesta manhã de luz, casta e pura.
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Como as pedras velhas de Águas Frias,
Que guardam histórias em cada rincão,
Ele enfrenta os ventos, as noites sombrias,
Com a força que nasce do seu coração.
Há um elo invisível, um traço de união,
Entre a ave altiva e o chão da região.
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Existe uma calma no seu cantar mudo,
Tal qual o granito que molda o lugar.
A aldeia transmontana, que resiste a tudo,
No peito do pássaro volta a pulsar.
Resiliência é o nome, o modo de estar,
De quem sabe o inverno enfim atravessar.
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Os brotos que nascem na haste curvada,
São como as gentes da Rua das Maias.
Promessa de vida na luz da alvorada,
Vencendo os gelos, rompendo navalhas.
O encanto do Pisco, em cores de raia,
É o brilho da aldeia que nunca desmaia.
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Beleza singela, encanto profundo,
Que a lente de Mário soube eternizar.
Um pássaro, um povo, o centro do mundo,
Onde o essencial é o saber esperar.
A força da vida não para de brotar,
Seja na pedra ou no voo a pairar.
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Águas Frias desperta em tons de laranja,
Na cor do pequeno e nobre guardião.
Onde a natureza sua arte arranja,
Para aquecer o frio de cada mão.
Pisco e aldeia, numa só canção,
Unidos num pacto de eterna devoção.
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Nota sobre a Obra:
A fotografia de Mário Silva captura o momento exato em que a
fragilidade do pássaro se encontra com a força do ciclo da vida, servindo como
uma metáfora poderosa para a identidade de Águas Frias: pequena em tamanho, mas
imensa em caráter e sobrevivência.
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Poema & Fotografia: ©MárioSilva
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