"A resiliência e robustez
do transmontano"
Mário Silva
Esta obra de Mário Silva,
intitulada "A resiliência e robustez do transmontano", é um
testemunho visual da ligação visceral entre o homem e a terra na região de
Trás-os-Montes.
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A fotografia captura uma cena de
agricultura tradicional, onde um homem de idade madura, usando um boné vermelho
e um colete escuro, maneja um arado manual.
À sua frente, um cavalo castanho,
robusto e devidamente ajaezado, puxa a ferramenta, abrindo sulcos na terra
clara e seca.
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O cenário é banhado por uma luz
solar intensa que realça a textura do solo revolvido e o brilho do pelo do
animal.
Em redor, pequenas oliveiras,
protegidas por estacas, pontuam o terreno, enquanto ao fundo se avista uma
encosta coberta de vegetação densa e verdejante.
A imagem exala uma atmosfera de
esforço, paciência e continuidade ancestral.
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O Sulco do Destino
Haverá no mundo silêncio mais
eloquente do que o metal do arado a morder a terra?
Na lente de Mário Silva, o título
não é apenas uma legenda; é uma certidão de identidade.
"A resiliência e robustez do
transmontano" manifesta-se ali, naquele preciso ângulo onde o braço do
homem se torna uma extensão da madeira e o passo do cavalo se confunde com o
pulsar do chão.
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Ser transmontano é saber que a
terra é uma mãe severa, que exige o suor antes de oferecer o pão.
A robustez que vemos não está
apenas nos músculos do animal ou nas mãos calejadas que seguram a rabiça; está
na teimosia mansa de quem, ano após ano, decide que o destino se escreve em
linhas direitas sobre o castanho do solo.
É a força de quem não verga
perante a canícula ou a distância, de quem entende que a modernidade pode
trazer máquinas, mas nunca substituirá a alma que se deposita em cada sulco.
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Nesta paisagem de sol e pó, a
resiliência é o diálogo mudo entre o bicho e o senhor.
O cavalo sabe o peso da tarefa; o
homem conhece o ritmo da esperança.
Juntos, desenham a geometria da
sobrevivência sob o olhar atento das oliveiras novas, que crescem à sombra
deste exemplo de perseverança.
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Mário Silva imortaliza aqui o
Portugal profundo, aquele que não tem pressa porque conhece o tempo das
sementes.
É uma ode ao homem que, mesmo
quando o mundo parece esquecer as raízes, continua a mergulhar as mãos na
terra, provando que a verdadeira robustez nasce da fidelidade ao que é eterno.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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