“Dia Mundial da Árvore”
Esta fotografia de Mário Silva, captada
a 21 de março, é uma celebração visual da renovação e da estrutura viva que
sustenta a paisagem transmontana.
.
A composição transporta o
observador para o interior de um pomar em plena floração.
O olhar é capturado pelo
contraste dramático entre os troncos robustos e escuros, de casca rugosa e
antiga, e a delicadeza das copas carregadas de flores brancas e alvas.
.
As árvores distribuem-se de forma
rítmica pelo terreno, criando um túnel de pétalas que filtra a luz solar.
No chão, o verde da erva nova
mistura-se com tons acastanhados da terra, enquanto os ramos, como braços
nodosos, estendem-se para o céu, sustentando esta nuvem branca que anuncia a
abundância dos frutos que hão de vir.
É uma imagem que respira a
frescura do equinócio e a solidez da natureza.
.
O Templo das Raízes: Dia
Mundial da Árvore
No calendário da terra, o dia 21
de março não é apenas uma data; é o momento em que a seiva sobe com mais força,
e a árvore, essa sentinela silenciosa, reclama o seu lugar de direito na
paisagem.
Nesta fotografia, Mário Silva não
retrata apenas plantas; ele regista o esqueleto e a alma de Portugal.
.
Rendas de Luz sobre o Tronco
Velho
Há uma poesia profunda no
contraste que a lente revela.
O tronco é a memória — escuro,
marcado pelas geadas e pelo sol, firme como o granito das fragas vizinhas.
Mas, sobre essa dureza ancestral,
a árvore tece uma renda de flores brancas, uma neve que não gela, mas que
aquece o coração de quem a contempla.
É a prova de que a força mais
bruta pode dar origem à beleza mais frágil.
.
A Árvore como Pilar do Mundo
Neste "Dia Mundial da
Árvore", somos lembrados de que cada exemplar deste pomar é um elo entre o
solo profundo e o azul infinito.
Elas não estão sós; coabitam com
o pisco que nelas pousa e com a raposa que nelas encontra sombra.
Ao contrário da "Casa
senhorial" de pedra, a árvore é uma arquitetura que muda com o vento e com
as estações, uma casa viva que nunca deixa de crescer.
.
O Ciclo Eterno
Beber desta imagem é como beber
do regueiro límpido onde o melro se sacia: é um ato de purificação.
A árvore ensina-nos a paciência.
Ela esperou pelo fim do inverno,
guardou a sua energia no âmago da madeira e, agora, explode em luz.
.
Celebrar a árvore é celebrar a
esperança.
É saber que, enquanto houver
ramos que se vestem de branco em março, haverá vida, haverá sombra e haverá
futuro.
Nesta "prosa de
pétalas", o fotógrafo recorda-nos que somos todos, de alguma forma, filhos
deste bosque sagrado.
.
Texto & Fotografia: ©MárioSilva
.
.
