Dia Mundial da Água
Esta fotografia de Mário Silva,
intitulada “Dia Mundial da Água” e captada a 22 de março, é uma ode visual à
serenidade e à transparência, elementos que definem a identidade das paisagens
de Chaves e arredores.
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A imagem revela um espelho de
água de uma calma absoluta, onde a superfície do rio se transforma num
duplicado perfeito da realidade.
As árvores altas e esguias que
ladeiam o curso de água projetam reflexos nítidos, criando uma simetria que
confunde o céu com o leito.
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No cenário, destaca-se a harmonia
entre o natural e o construído: à direita, uma margem de blocos de granito
robustos sustenta a terra, enquanto ao fundo um arco de ponte em pedra, rústico
e antigo, atravessa o fluxo.
Uma pequena passarela de metal ou
madeira cruza o plano médio, convidando à travessia.
A vegetação é luxuriante, com
fetos e ervas verdejantes que bebem diretamente da humidade do solo,
sublinhando a abundância que a água proporciona.
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O Espelho da Existência: Dia
Mundial da Água
A água não é apenas um recurso
que corre entre margens; é o sangue da terra, o elemento primordial que dita o
ritmo de toda a vida.
Neste Dia Mundial da Água, a
lente de Mário Silva convida-nos a uma paragem contemplativa perante este
"sangue azul" que tudo irriga.
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Onde a Vida se Bebe
Toda a biologia deste lugar
converge para a margem.
Vimos o melro-preto inclinar-se
com reverência para extrair a vida do regueiro azul.
Sem este fluxo constante, a
magnólia não teria o vigor para explodir em rosa no equinócio, nem o pomar se
vestiria de noiva com as suas flores brancas de março.
A água é a arquiteta invisível
que decide onde a erva é mais verde e onde a raposa pode saciar a sede após a
caça.
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A Memória Líquida
Há uma honestidade brutal na
transparência da água.
Ela reflete a solidez do granito
e a fragilidade das folhas que nela caem.
As pontes e os pontões de pedra,
que Mário Silva tão bem regista, são tentativas humanas de domar ou dialogar
com este elemento eterno.
Mas é a água que detém a última
palavra, moldando as pedras ao longo dos séculos e mantendo viva a memória das
aldeias como Águas Frias ou Santo Estêvão.
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Um Pacto de Sobrevivência
Neste espelho líquido, vemos mais
do que árvores e céu; vemos a nossa própria responsabilidade.
A água que reflete o arco da
ponte é a mesma que sustenta o pisco-de-peito-ruivo e que alimenta o riso das
mulheres que celebram a vida nas ruas de pedra.
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Proteger este fluxo é garantir
que o amanhã continue a ter reflexo.
Porque, no fim de contas, a água
é a única língua que todas as espécies falam sem precisar de palavras.
É o beijo da terra ao céu,
capturado num instante de luz eterna.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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