“Pote de ferro de três pés -
um dos símbolos transmontanos”
Mário Silva
Esta fotografia de Mário Silva é uma celebração da herança
cultural e da vida doméstica que, durante séculos, definiu o norte de Portugal.
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A imagem intitulada “Pote de ferro de três pés - um dos
símbolos transmontanos” é uma natureza-morta de forte carga etnográfica.
No centro da composição, destaca-se um robusto pote de ferro
fundido, de cor preta e superfície texturada, apoiado sobre os seus
característicos três pés.
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Ao seu lado, repousam utensílios de lareira gastos pelo uso:
uma pá de ferro com sinais de ferrugem e uma tenaz, encostadas a um pilar de
granito bruto.
O enquadramento, fechado e com uma vinheta escura que
suaviza as extremidades, foca a atenção na solidez destes objetos.
A iluminação realça os reflexos metálicos do pote e a
aspereza da pedra, criando uma atmosfera que evoca o calor do "lume de
chão" e a simplicidade da vida rural em Trás-os-Montes.
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O Coração de Ferro da Casa Transmontana
O título escolhido por Mário Silva não deixa margem para
dúvidas: o pote de três pés é muito mais do que um utensílio de cozinha; é um
símbolo de resistência e identidade.
Nas aldeias em redor de Chaves e por todo o planalto
transmontano, este objeto foi, durante gerações, o sol em torno do qual
orbitava a vida familiar.
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O Engenho da Sobrevivência
O design do pote de três pés é uma lição de funcionalidade.
Numa época em que se cozinhava diretamente no chão, sobre as
brasas, os três pés garantiam a estabilidade necessária em superfícies
irregulares de pedra.
O Material: O ferro fundido, capaz de reter o
calor por horas, era ideal para os cozinhados lentos que aqueciam o corpo nos
invernos rigorosos.
A Versatilidade: Nele se fazia tudo: desde o
caldo de couves com feijão até ao cozido à transmontana, o pote era o garante
da nutrição e do conforto.
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O Símbolo do Lume e da Reunião
Relacionar este tema com o título é mergulhar na memória
coletiva.
O pote de ferro representa a hospitalidade transmontana.
Estar ao pé do pote significava estar em comunidade,
partilhando histórias enquanto o fumo subia para o fumeiro.
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A fotografia captura este "fogo adormecido".
Mesmo vazio e fora do lume, o pote transporta consigo o eco
das conversas de lareira e o peso de uma tradição que se recusa a desaparecer.
Ele é o testemunho de um tempo em que a riqueza se media
pela fartura do que saía daquela barriga de ferro, e não pela pressa da vida
moderna.
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Uma Herança de Ferro e Pedra
Ao imortalizar estes objetos, Mário Silva faz justiça à alma
de um povo.
O pote, a pá e a tenaz são os sobreviventes de uma era de
autossuficiência.
Hoje, guardados como relíquias ou usados apenas em dias de
festa, continuam a ser o símbolo máximo de que, em Trás-os-Montes, a mesa é
sagrada e o fogo nunca se apaga na memória de quem lá nasceu.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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