“Lavrar atualmente à moda antiga” – Trás-os-Montes – Portugal

 


“Lavrar atualmente à moda antiga”

Trás-os-Montes – Portugal




Esta fotografia de Mário Silva, captada sob a luz generosa de abril, é um testemunho vivo da resiliência das tradições agrícolas no Nordeste Transmontano.

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A imagem retrata uma cena de trabalho árduo e partilhado num campo em Trás-os-Montes.

Em pleno esforço, um homem e uma mulher utilizam um arado tradicional, puxado por um burro, para revirar a terra castanha e fértil.

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O homem, à retaguarda, segura com firmeza as rabiças do arado, guiando a lâmina que rasga o solo, enquanto a mulher acompanha o movimento, assegurando o equilíbrio da tarefa.

O animal, de pelagem clara e passo paciente, caminha sobre a terra já lavrada, sob um sol que realça o verde vibrante da vegetação circundante e a textura poeirenta do terreno.

É uma composição que equilibra a força do esforço humano com a serenidade da natureza.

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O Sulco da Memória — Lavrar o Presente com o Ontem

O título “Lavrar atualmente à moda antiga” não é apenas uma descrição de uma tarefa; é uma declaração de identidade.

Em Trás-os-Montes, o tempo não se mede por ponteiros de aço, mas pela profundidade do sulco que o arado deixa na pele da terra.

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O Diálogo entre o Homem e o Chão

Nesta imagem, Mário Silva capta a coreografia ancestral que a modernidade ainda não conseguiu apagar.

Enquanto o mundo lá fora acelera ao ritmo de algoritmos e motores ruidosos, aqui, o silêncio é apenas interrompido pelo arquejar do animal e pelo som da terra a abrir-se para receber a semente.

Há uma poesia muscular no gesto do homem que domina o arado e na presença cúmplice da mulher; um contrato silencioso de sobrevivência e amor ao lugar.

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O Burro: O Companheiro de Destino

O animal de traça, tantas vezes esquecido pela história, surge aqui como o motor de uma economia de subsistência que se recusa a morrer.

O seu passo é o ritmo da própria região: lento, mas seguro; cansado, mas inquebrável.

Lavrar "atualmente" desta forma é um ato de resistência cultural.

É escolher a proximidade física com o solo em vez do isolamento de uma cabine de trator.

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A Luz do Reino Maravilhoso

A claridade que banha a cena parece santificar o esforço.

Não há aqui o glamour da tecnologia, mas a dignidade do suor.

O "atualmente" da fotografia recorda-nos que o progresso não tem de ser uma linha reta que apaga o passado, mas pode ser um círculo onde o ontem e o hoje se abraçam na mesma leira de terra.

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Mário Silva entrega-nos mais do que um registo etnográfico; entrega-nos um espelho.

Numa época de consumismo efémero, estas gentes de Trás-os-Montes ensinam-nos que a verdadeira liberdade pode estar, precisamente, em saber conduzir o arado, respeitando o tempo de descanso da terra e a herança dos que, antes de nós, fizeram deste chão o seu destino.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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