“Um rincão da Aldeia”
Águas Frias – Chaves - Portugal
Esta fotografia de Mário Silva,
intitulada “Um rincão da Aldeia”, captada em Águas Frias, Chaves, é um retrato
da simbiose entre o refúgio humano e a vastidão da montanha transmontana.
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A imagem apresenta uma perspetiva
de um agrupamento de habitações situadas no sopé de uma encosta imponente.
As casas, com as suas paredes
brancas e telhados de telha tradicional alaranjada, surgem
"aninhadas" num recanto, como se procurassem abrigo contra o relevo.
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O pano de fundo é dominado por
uma colina vasta e ondulada, coberta por uma vegetação em tons de ocre,
castanho e ciano, característica do final do inverno ou início da primavera.
Árvores de folha caduca, ainda
despidas ou a despertar, emolduram o primeiro plano, criando uma sensação de
profundidade e intimidade.
A luz solar, suave e lateral,
banha as fachadas, destacando a geometria simples e sólida da arquitetura
rural.
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Um Rincão da Aldeia: Onde o
Tempo se Aninha
Há lugares que não se explicam
apenas por coordenadas; explicam-se pelo modo como o silêncio neles se
deposita.
Este "rincão" de Águas
Frias é um desses portos de abrigo onde a montanha, em vez de isolar, parece
abraçar quem nela ousou construir o seu destino.
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O Abraço da Encosta
Nesta composição de Mário Silva,
as casas não se impõem à paisagem; elas pedem-lhe licença para existir.
Estão ali, naquele recanto onde o
vento talvez sopre mais manso e onde a luz da tarde se demora a despedir.
A colina, vasta e silenciosa,
observa as chaminés que ainda ontem soltavam o fumo do conforto.
É um diálogo mudo entre a
eternidade da terra e a fragilidade do habitar.
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A Vida nos Detalhes
Embora a fotografia capture o
conjunto, o espírito do rincão vive no que ele guarda: na porta vermelha que se
destaca na brancura, na parede de pedra que sustenta o quintal, ou no trilho
que se perde em direção ao prado onde o pisco vigia o horizonte.
É nestes caminhos de terra que a
raposa faz a sua ronda e o melro encontra o seu espelho na água límpida.
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A Nobreza do Simples
Este canto da aldeia é a prova de
que a beleza não necessita de artifícios.
Ela reside na harmonia das cores
— o contraste entre o azul do céu, o ocre da terra e o verde que já começa a
pontuar as árvores.
É aqui que se sente a força das
mulheres da terra, que com o seu sorriso e as suas flores, dão cor às pedras
cinzentas e vida aos rincões mais escondidos.
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Um "rincão" é, afinal,
uma promessa: a de que, por mais vasto que seja o mundo, haverá sempre um canto
de luz e granito à nossa espera.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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