São 09h 24min ... cheguei ... eu sou
o verão
O Despertar do Fogo: A Coroação da
Luz
Mário Silva
O relógio cósmico não falha.
A madrugada despedia-se com uma
brisa ainda tímida, um último suspiro da primavera que hesitava em ceder o seu
lugar.
Nos campos abertos, a natureza
parecia suster a respiração.
O céu ostentava já um azul
profundo e imaculado, despido de qualquer nuvem, preparando o palco para o
maior espetáculo astronómico do ano.
Não era uma manhã qualquer; era o
dia do solstício.
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Os segundos contavam-se no
gotejar do orvalho.
As árvores mais distantes,
escuras e silenciosas no fundo da paisagem, aguardavam na penumbra.
No primeiro plano, um imponente
arbusto de giestas, carregado com milhares de pequenas flores fechadas, servia
de sentinela à espera do sinal.
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O Instante Exato
E então, o universo cumpriu a sua
promessa.
Exatamente às 09h 24min, o
horizonte rasgou-se.
O sol não se limitou a nascer;
ele arrombou as portas da manhã com a força de uma explosão cósmica.
O astro-rei posicionou-se
cirurgicamente por detrás do denso matagal de giestas, disparando os seus raios
incisivos por entre a folhagem e as flores.
.
O impacto foi fulminante.
Num piscar de olhos, o frio
matinal foi vaporizado.
A luz intensa atravessou os
ramos, criando uma magnífica auréola ótica, um anel de refração luminoso que
coroava a planta como se fosse sagrada.
As flores da giesta, banhadas por
esta injeção letal de energia, explodiram num amarelo vibrante e dourado,
cintilando contra o firmamento.
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"Eu Sou o Verão"
.
Foi nesse exato momento, enquanto
a luz engolia as sombras e a marca dourada do fotógrafo "MS"
testemunhava o instante no canto inferior esquerdo, que uma presença invisível
e avassaladora tomou conta dos campos.
Parecia ouvir-se uma voz
ancestral, carregada pela aragem quente que subitamente começou a agitar os
ramos floridos:
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"São 09h 24min... cheguei...
eu sou o verão."
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A proclamação não pedia licença.
A estação do fogo reclamou o seu
trono de imediato.
A paleta de cores do mundo
saturou-se, o canto dos primeiros insetos rompeu o silêncio, e a terra
preparou-se para os dias infindáveis.
Ali, no esplendor daquele arbusto
incandescente, o verão declarava vitória, prometendo dias de calor implacável,
paixões febris e a glória indomável da luz absoluta.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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