"O sol esconde-se atrás da serra do Larouco" - Mário Silva

 


"O sol esconde-se atrás 

da serra do Larouco"

Mário Silva



A fotografia capta um majestoso pôr do sol, dominado por uma paleta de tons intensamente quentes, onde o laranja incandescente inunda quase toda a abóbada celeste.

No horizonte, recortam-se as silhuetas escuras e ondulantes da serra do Larouco, que mergulham em profunda sombra perante a contraluz.

O sol apresenta-se como um semicírculo de luz fulgurante, prestes a desaparecer por detrás do ponto mais alto do relevo montanhoso, irradiando um brilho amarelo intenso a partir do cume.

Acima, uma faixa de nuvens escuras atravessa horizontalmente a composição, criando um forte contraste dramático com a claridade circundante.

No canto inferior direito, vislumbra-se a marca de água circular e dourada com o monograma "MS".

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O Adeus Dourado no Colo da Montanha

Há, na agonia do dia, uma beleza melancólica que nos silencia a alma e nos obriga a olhar para dentro.

Quando a tarde se rende ao peso das horas e o céu se incendeia num pranto alaranjado, é como se o universo inteiro suspendesse a respiração para assistir ao derradeiro suspiro da luz.

Na magistral captação de Mário Silva, o sol não apenas se põe no horizonte; ele refugia-se, quase maternalmente acolhido, no regaço de pedra, urze e sombras da imponente serra do Larouco.

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As montanhas transmontanas, despidas de detalhe e vestidas com o manto escuro do crepúsculo, erguem-se como guardiãs de um segredo ancestral.

São silhuetas adormecidas, testemunhas caladas da eternidade, que abraçam o astro-rei no seu momento de maior fragilidade e beleza.

O firmamento sangra numa paleta de fogo vivo, uma ferida de luz que recusa fechar-se sem antes deixar na terra a marca inflamada da sua passagem fugaz.

Ele foge-nos da vista, ocultando-se vagarosamente por detrás daquele cume agreste, mas não sem antes dourar as arestas frias do mundo com um último, ardente e apaixonado beijo de despedida.

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Neste cenário de assombro, onde o efémero e o eterno se cruzam, a faixa espessa de nuvens que rasga o céu assemelha-se a um véu de luto antecipado.

É a noite que reclama o seu império.

E nós, meros e minúsculos observadores diante de tamanha imensidão, ficamos ali, paralisados pela vastidão de cores.

Sentimos, subitamente, a saudade inexplicável de um dia que ainda agora terminou, uma nostalgia doce que nos recorda quão frágil é a claridade das nossas próprias vidas.

O Larouco embala o sol até o adormecer e, com ele, recolhe também um pedaço do nosso suspirar, guardando-o no escuro até que a alvorada decida, por pura compaixão, resgatar o mundo das sombras mais uma vez.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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