"Silêncio"
Mário Silva
A fotografia retrata uma paisagem
rural vasta e serena, captada sob uma luz suave de um dia ligeiramente
encoberto.
Em primeiro plano, destacam-se
ramos de árvores de fruto em plena floração, com pequenas flores brancas e
rosadas que parecem pontuar o ar como notas de uma melodia visual.
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O olhar é conduzido por campos
divididos por muros de pedra tradicionais e vegetação rasteira, onde o verde
vibrante da erva contrasta com o castanho da terra lavrada.
Ao fundo, colinas ondulantes
perdem-se na bruma do horizonte, onde se avistam algumas construções rurais
isoladas e postes de eletricidade que sublinham a vastidão do território.
A composição é emoldurada por uma
borda verde-escura, reforçando o caráter bucólico da cena.
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A Voz Mansa da Terra
O silêncio, nesta fotografia de
Mário Silva, não é a ausência de som, mas sim a presença de uma harmonia que o
ruído das cidades nos fez esquecer.
O título "Silêncio" é
uma chave de leitura para a alma: convida-nos a parar e a ouvir o que a terra
tem para dizer quando ninguém a interrompe.
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Nesta paisagem, o silêncio tem a
textura das pétalas brancas que teimam em brotar no frio da primavera.
É um silêncio fértil, que cheira
a terra molhada e a renovação.
Não há aqui o silêncio pesado das
salas vazias, mas sim o silêncio eloquente do crescimento — o som das raízes a
beber a vida e do vento a acariciar as colinas distantes.
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Contemplar esta imagem é fazer
uma viagem ao interior de nós mesmos.
Os muros de pedra que delimitam
os campos parecem também delimitar um espaço sagrado de quietude.
Aqui, o tempo não corre; ele
demora-se, observando o horizonte brumoso onde o céu toca o chão.
É o silêncio de quem sabe que
tudo tem o seu tempo: o tempo de lavrar, o tempo de florescer e o tempo de,
simplesmente, ser.
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Neste mundo acelerado,
"Silêncio" é um refúgio visual.
Recorda-nos que a beleza mais
profunda não precisa de artifícios ou de gritos para se fazer notar.
Ela manifesta-se na simplicidade
de um ramo florido contra um vale imenso, provando que, por vezes, as palavras
mais importantes são aquelas que a natureza escreve na paisagem, esperando que
tenhamos a paz necessária para as ler.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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