“Correr... quase parado”
Mário Silva
Esta é uma fotografia que capta
de forma magistral a dualidade do tempo na natureza.
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A fotografia de Mário Silva,
intitulada “Correr... quase parado”, transporta-nos para o coração de uma
floresta densa e luminosa, possivelmente na região de Chaves.
A composição foca-se num pequeno
ribeiro que serpenteia por entre rochas de granito cobertas de musgo e uma
vegetação verdejante e luxuriante.
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O destaque vai para o jogo de
claro-escuro: a luz solar filtra-se por entre as copas das árvores, criando
reflexos brilhantes na água em movimento e destacando a textura das pedras e
das folhas.
Um tronco fino e inclinado
atravessa o plano, funcionando como uma linha visual que guia o olhar pelo
curso da água.
A imagem, emoldurada com uma
vinheta escura e uma margem branca, transmite uma sensação de frescura,
isolamento e serenidade absoluta.
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O Pulso Lento da Água
Sobre o paradoxo de correr sem
pressa
Há um segredo que as águas dos
ribeiros guardam e que a lente de Mário Silva soube desvendar: a capacidade de
estar em movimento permanecendo no mesmo lugar.
No título desta obra, “Correr...
quase parado”, reside a essência da alma transmontana — uma pressa que não
atropela, um destino que se cumpre na lentidão dos séculos.
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A água desliza sobre o granito
antigo com um murmúrio que é, ao mesmo tempo, canção e silêncio.
Ela corre, sim, mas fá-lo com tal
harmonia que o mundo ao seu redor parece ter decidido parar para a ver passar.
As árvores inclinam-se, como
sentinelas de sombra, protegendo este fluxo que é o sangue da terra.
A luz, em estilhaços de ouro,
brinca na superfície líquida, transformando cada pequena queda de água num
instante de cristal.
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Neste recanto, o tempo não se
mede em horas, mas sim na paciência das pedras que deixam a água moldar-lhes o
corpo.
É um correr de quem já chegou, um
fluir que não procura a foz, mas que se deleita no caminho.
A imagem ensina-nos que a
verdadeira vida não está no ruído da velocidade, mas na cadência de quem sabe
que o essencial é a persistência do caminho, por mais estreito que ele seja.
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“Correr... quase parado” é o
retrato de um equilíbrio frágil e perfeito.
É o convite para que também nós
saibamos fluir por entre os obstáculos da vida, mantendo a clareza da água e a
solidez da rocha, aprendendo que, às vezes, a forma mais rápida de chegar ao
centro de nós mesmos é saber parar e escutar o ribeiro que nos habita.
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Esta fotografia é um verdadeiro
bálsamo visual.
É impressionante como o Mário
Silva consegue captar a frescura da água através de uma imagem estática.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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