“Como seria a
Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém,
nos nossos tempos?”
Esta obra digital de Mário Silva,
intitulada “Como seria a Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém, nos nossos
tempos?” (ou "Dia de Ramos - atualidade"), é uma releitura
contemporânea e audaz de um dos episódios mais icónicos da tradição cristã.
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A imagem retrata uma multidão
densa e heterogénea que preenche uma avenida moderna, ladeada por edifícios de
pedra clara que evocam tanto a Jerusalém histórica como uma metrópole atual.
No centro da composição, Jesus
surge montado num pequeno burro, vestido com túnicas tradicionais, contrastando
com a massa de gente que o rodeia, vestida com roupas do século XXI.
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A cena transborda dinamismo:
pessoas erguem ramos de palmeira, lenços coloridos e cartazes de cartão onde se
lê "HOSANA", "JESUS" e "NOSSO REI".
O elemento de modernidade é
vincado pela presença de vários telemóveis erguidos para registar o momento e
por viaturas modernas estacionadas ao fundo, criando um anacronismo visual
propositado que traz a narrativa para o "aqui e agora".
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A Entrada Triunfal: O Eterno
Retorno no Asfalto
E se a profecia decidisse
caminhar sobre o alcatrão?
Nesta visão de Mário Silva, o
Domingo de Ramos despe-se do seu mofo histórico para se tornar um acontecimento
viral, palpável e vibrante nas ruas do nosso tempo.
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O Rei entre os Pixels
Jesus avança com uma serenidade
que o tempo não desgasta.
Enquanto a multidão o
"enquadra" nas lentes dos seus smartphones, procurando imortalizar o
divino em formatos digitais, Ele permanece o centro de gravidade de um mundo em
movimento.
Tal como a água que corre
indiferente sob a ponte de pedra ou a árvore em contraluz que desafia o céu,
esta figura representa uma constante num universo de variáveis.
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Hosanas de Cartão e Fé
A aclamação não mudou, apenas se
adaptou.
Os ramos de palmeira ainda
estremecem no ar, mas agora convivem com cartazes de protesto e de esperança.
É uma entrada triunfal que ignora
as viaturas modernas e o ruído da cidade para reclamar o coração das gentes.
Há uma poesia crua no modo como a
simplicidade de um homem num burro consegue silenciar a prepotência do betão e
do aço.
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O Milagre da Presença
Depois de vermos a ressurreição
no hospital, vemos agora a celebração na rua.
Esta "entrada" é a
prova de que o sagrado não habita apenas nos cruzeiros de granito ou nos
rincões escondidos da aldeia; ele irrompe pela avenida principal, entre
sorrisos e lenços estendidos no chão.
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Mário Silva convida-nos a pensar:
seríamos nós os que levantam os ramos ou os que apenas observam através do
ecrã?
No fim, a fotografia recorda-nos
que, independentemente da época, a humanidade continua à procura de um sentido
que a guie através da multidão.
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Texto & Fotografia digital: ©MárioSilva
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