Cogumelo cauda-de-peru
(Trametes versicolor)
Esta fotografia de Mário Silva,
captada no início de março, é uma celebração da geometria e da paleta de cores
que a natureza esconde nos recantos mais discretos das florestas de
Trás-os-Montes.
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A imagem é uma macroperspectiva
detalhada de um conjunto de cogumelos cauda-de-peru (Trametes versicolor), que
crescem em camadas sobrepostas no tronco de uma árvore.
A composição destaca as bandas
concêntricas de cores que dão nome à espécie: tons de castanho, ocre, creme e
cinzento, que se alternam em texturas aveludadas.
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A luz, suave e quente, incide
lateralmente, realçando as margens ligeiramente onduladas e claras de cada
"leque".
O fundo apresenta uma
profundidade de campo reduzida, onde se percebem fragmentos de musgo e a casca
rugosa da árvore hospedeira, criando um contraste orgânico entre a dureza da
madeira e a forma escultural do fungo.
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A Geometria do Invisível —
Onde a Decomposição se faz Arte
O Mestre das Cores
O título “Cogumelo cauda-de-peru
(Trametes versicolor)” aponta para uma das espécies mais fascinantes do reino
Fungi.
O termo latino versicolor não é
um exagero; é uma promessa de diversidade.
Na lente de Mário Silva, este
fungo deixa de ser um mero agente de decomposição para se tornar um objeto de
design natural.
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Estes cogumelos não possuem a
forma clássica de "chapéu e pé" que povoa o imaginário infantil.
Eles são artistas do plano
horizontal, crescendo em prateleiras que parecem mimetizar a cauda de um peru
em plena exibição.
É a natureza a usar o seu pincel
para pintar círculos perfeitos, lembrando-nos que a beleza não está apenas nas
flores exuberantes, mas também no que nasce do que já partiu.
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O Ciclo do Renascimento
Em Trás-os-Montes, onde o inverno
é longo e rigoroso, o aparecimento destes cogumelos é um sinal vital.
Enquanto a árvore serve de
suporte, o “Trametes versicolor” cumpre o papel essencial de reciclar a matéria
orgânica.
A fotografia capta exatamente
essa simbiose: a árvore, na sua fase final ou de dormência, permite que uma
nova forma de vida, estruturada e vibrante, se manifeste.
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Visualmente, a sobreposição dos
leques cria uma sensação de movimento estático, como se as ondas de cor
estivessem a emanar do centro do tronco.
É uma lição de resiliência e de
aproveitamento — a prova de que, na floresta, nada se perde e tudo se
transforma em estética.
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O Olhar de …
O que torna esta obra especial é
a capacidade do fotógrafo em isolar o detalhe.
Muitas vezes passamos por estes
troncos sem lhes atribuir importância, vendo apenas "fungos na
madeira".
Mário Silva obriga-nos a parar e
a admirar a repetição rítmica das formas.
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A escolha do enquadramento macro
retira o objeto do seu contexto puramente biológico e coloca-o num plano
artístico.
Aqui, o “Trametes versicolor” é
uma escultura, uma prova da inteligência visual da natureza que, mesmo sem
olhos, cria padrões que o olho humano não se cansa de contemplar.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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