“A vaquinha e o bezerro"
Águas Frias – Chaves - Portugal
Esta fotografia de Mário Silva,
captada no início de março em Trás-os-Montes, é um testemunho da ternura e da
continuidade da vida no mundo rural, banhada pela luz dourada do entardecer
transmontano.
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A imagem apresenta um momento de
profunda intimidade e instinto materno entre uma vaca de pelagem clara e o seu
bezerro de cor acaju.
A luz solar, vinda de trás
(contra-luz), cria uma aura luminosa em redor dos animais, realçando a textura
do pelo e a silhueta das formas.
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A vaca inclina-se carinhosamente
para o pequeno bezerro, que se mantém firme sobre as suas patas, simbolizando a
proteção e o cuidado.
O cenário é composto por uma
pastagem verdejante ao fundo, com árvores despidas que sugerem o fim do
inverno, enquanto o solo em primeiro plano mostra a terra revolvida, típica das
zonas de pasto e cultivo.
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Ouro Vivo nas Montanhas — O
Valor do Gado em Trás-os-Montes
A Maternidade como Símbolo de
Resistência
O título “A vaquinha e o bezerro”
remete para a simplicidade da vida no campo, mas a imagem de Mário Silva
carrega um significado muito mais profundo para a região de Trás-os-Montes.
Num território muitas vezes
fustigado pelo isolamento e pelo envelhecimento demográfico, o nascimento de um
bezerro é um símbolo de renovação e de esperança económica.
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A Importância Económica e as
Raças Autóctones
Atualmente, a criação de gado
bovino é um dos pilares fundamentais da economia transmontana.
A região é berço de raças de
excelência, como a Mirandesa, a Maronesa e a Barrosã, cujas carnes gozam do
estatuto de Denominação de Origem Protegida (DOP).
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Estes animais não são apenas
"gado"; são o resultado de uma seleção secular e de uma adaptação
perfeita ao clima rigoroso e ao terreno acidentado.
A venda destes bezerros constitui
a principal fonte de rendimento para muitas famílias que resistem no
"Portugal Profundo", alimentando uma cadeia de valor que vai desde o
produtor local até aos talhos e restaurantes de luxo nas grandes cidades.
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Sustentabilidade e Gestão do
Território
Para além do valor monetário, a
criação de bovinos em regime extensivo — como o que se adivinha na fotografia —
desempenha um papel ecológico crucial:
Prevenção de Incêndios: O
pastoreio ajuda a limpar o mato e a controlar a biomassa, reduzindo o risco de
fogos florestais.
Biodiversidade: A
manutenção de lameiros (pastagens húmidas) favorece o ecossistema local.
Fixação de Populações: A
pecuária é um dos poucos setores que ainda consegue fixar jovens empreendedores
agrícolas na região, combatendo o abandono das aldeias.
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Um Olhar Sobre o Futuro
A fotografia de Mário Silva
recorda-nos que, por trás de cada prato de carne de qualidade, existe um ciclo
de vida que começa com esta ternura sob a luz do sol.
Valorizar o gado bovino de
Trás-os-Montes é valorizar a identidade de um povo e garantir que as montanhas
continuam a ser habitadas por gente, por histórias e por este "ouro
vivo" que pasta livremente entre o granito e o carvalho.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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