“As Alminhas na encruzilhada" - Águas Frias - Chaves - Portugal

 


“As Alminhas na encruzilhada"

Águas Frias - Chaves - Portugal




Esta fotografia de Mário Silva, captada em Águas Frias, Chaves, é um registo profundo da religiosidade popular e do património imaterial que pontua as bermas das estradas e caminhos portugueses.

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A imagem apresenta, no plano central, um monumento devocional tradicional — as Alminhas — erguido sobre uma base de betão e protegido por uma grade de ferro forjado pintada de branco.

O nicho superior, em forma de pequena capela, guarda no seu interior imagens religiosas e várias velas de cor vermelha, acesas ou consumidas, sinal de promessas e orações contínuas. No pilar de suporte, nota-se uma inscrição com a data “08-10-1983”.

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O cenário envolvente reforça a ruralidade: à esquerda, um arbusto de folhagem acobreada; ao fundo, uma encosta com árvores de ramos despidos e afloramentos de granito, sob um céu de luz pálida.

O monumento situa-se numa encruzilhada, em caminhos de terra, servindo de guia espiritual a quem por ali passa.

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Onde os Caminhos se Cruzam com o Céu: As Alminhas de Águas Frias

O título desta obra, "As Alminhas na encruzilhada", transporta-nos para um tempo em que a viagem e a fé eram indissociáveis.

Em Águas Frias, no coração de Chaves, a lente de Mário Silva detém-se perante esta pequena sentinela de pedra, que é, simultaneamente, um marco geográfico e um porto de abrigo para a alma.

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A Geometria da Devoção

Erguidas no ponto onde os caminhos se dividem, estas Alminhas não são apenas arquitetura; são um diálogo entre o visível e o invisível.

A brancura da cal e o ferro da grade contrastam com a crueza do granito transmontano que as rodeia.

Elas representam a teimosia da luz perante a sombra, a pequena chama vermelha da cera que teima em arder contra o vento que sopra da serra.

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O Silêncio da Encruzilhada

Uma encruzilhada é, por natureza, um lugar de decisão.

É ali que o caminhante hesita, que o destino se bifurca.

Mário Silva capta o nicho como um ponto de equilíbrio: perante a incerteza do caminho, as Alminhas oferecem a certeza da memória.

As flores depositadas na base e a data gravada no pilar contam histórias de quem partiu, de quem ficou e de quem, num momento de aflição ou gratidão, ali deixou um pedaço do seu coração em forma de prece.

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Uma Sentinela de Fim de Inverno

A luz suave que banha a cena e os ramos despidos das árvores conferem à fotografia uma melancolia serena.

É uma prosa escrita com o suor da terra e a esperança do espírito.

"As Alminhas na encruzilhada" lembram-nos que, em Trás-os-Montes, a paisagem é sagrada.

Cada pedra tem um nome e cada esquina da estrada tem uma alma que vela por nós, garantindo que, por mais isolado que seja o caminho, nunca caminhamos verdadeiramente sozinhos.

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Esta fotografia é uma homenagem à beleza do que é simples e eterno: o granito que sustenta a terra e a fé que sustenta o homem.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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