“A fraga e a mimosa (Acacia dealbata)"
Águas Frias - Chaves - Portugal
Esta fotografia de Mário Silva, captada em Águas Frias,
Chaves, é um exercício de contraste e harmonia entre a solidez mineral e a
delicadeza floral.
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A composição é dominada, em primeiro plano, por uma grande
fraga de granito arredondada, cuja superfície cinzenta e rugosa é pontuada por
manchas de hera e líquenes, testemunhando a sua imobilidade secular.
O peso desta rocha ancora a imagem no lado esquerdo.
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Em contrapondo, à direita e ligeiramente mais ao fundo,
ergue-se uma mimosa (Acacia dealbata) em plena floração.
A sua copa está carregada de pequenos globos amarelos
vibrantes que parecem capturar a luz do sol, contrastando com o azul límpido do
céu e com os tons acastanhados de outras árvores que ainda não despertaram do
inverno.
Um caminho de pé posto serpenteia pelo prado verdejante,
guiando o olhar até uma construção de tijolo ao fundo, que completa este
cenário tipicamente transmontano de final de inverno.
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O Casamento do Peso e da Luz: A Fraga e a Mimosa
O título "A fraga e a mimosa" é mais do que uma
descrição botânica ou geológica; é o resumo de um diálogo silencioso que ocorre
nas encostas de Águas Frias.
Mário Silva coloca frente a frente dois protagonistas que
personificam a alma da terra flaviense.
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A Fraga: A Memória do Mundo
A fraga é o osso da terra.
Imperturbável, ela viu gerações passarem, geadas caírem e o
vento soprar.
Representa a resiliência transmontana, a força bruta do
granito que serve de alicerce a tudo.
O seu cinzento é a cor da eternidade, uma âncora que prende
a paisagem ao chão, resistindo ao tempo com a paciência das pedras que sabem
esperar pelo sol.
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A Mimosa: O Ouro Efémero
A seu lado, a mimosa é a explosão da vida.
Ela não espera pela autorização da primavera; antecipa-se,
tingindo os campos de um amarelo audaz que desafia o frio.
Se a fraga é o silêncio, a mimosa é o canto.
As suas flores são como centelhas de luz que anunciam que a
dormência terminou.
Embora a sua beleza seja passageira e as suas flores caiam
com o vento, a sua vivacidade é o que dá cor à esperança.
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O Equilíbrio dos Opostos
Nesta fotografia, o pesado torna-se leve e o cinzento
torna-se dourado.
Existe uma poesia profunda no modo como a sombra da rocha
protege a base do prado, enquanto a copa da árvore se estende para o infinito
azul.
É o retrato de um Portugal que é feito de substância dura e
de sonhos luminosos.
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Em Águas Frias, a fraga e a mimosa coabitam como velhas
amigas.
Uma oferece o suporte, a outra oferece a festa.
Juntas, escrevem na paisagem de Chaves um verso sobre a
dualidade da existência: para florescer com tal brilho, é preciso ter as raízes
bem assentes na solidez da pedra.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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