"Santo António de Lisboa (ou de Pádua)"
Mário Silva (IA)
A imagem apresenta uma representação fotorrealista e
cinematográfica de Santo António a segurar o Menino Jesus ao colo.
O santo é retratado como um jovem frade, exibindo a
tradicional tonsura e vestindo um hábito franciscano de lã castanha escura,
cingido à cintura por uma corda com nós.
Na sua mão direita, segura um lírio branco, símbolo de
pureza.
O Menino Jesus, de cabelos encaracolados e vestido com uma
túnica de tom cru, sorri de forma terna e radiante enquanto fita o rosto sereno
do frade.
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O cenário de fundo revela o interior desfocado de uma
imponente igreja de pedra, com colunas e arcos clássicos, banhada por feixes de
luz celestial que incidem diagonalmente sobre as duas figuras, conferindo um
tom divinal e dramático à cena.
No canto inferior direito, destaca-se o logótipo circular
dourado com o monograma "MS" do autor.
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Santo António: De Lisboa ou de Pádua?
Uma Disputa de Devoção
A bela e comovente fotografia de Mário Silva, sob o título
"Santo António de Lisboa", capta a essência daquele que é,
indiscutivelmente, um dos santos mais populares e venerados de toda a
cristandade.
Contudo, o título escolhido pelo autor remete-nos
diretamente para uma das mais antigas e amigáveis disputas geográficas e
religiosas da Europa: afinal, o santo pertence a Lisboa ou a Pádua?
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A resposta a esta questão depende essencialmente de quem a
profere e reflete a dualidade da vida de um homem que nasceu num extremo da
Europa e faleceu no outro.
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As Raízes Alfacinhas: Fernando de
Bulhões
Para os portugueses, não há margem para dúvidas: ele é Santo
António de Lisboa.
Nascido na capital portuguesa por volta de 1195, a poucos
passos da Sé Catedral, o seu nome de batismo era Fernando de Bulhões.
Foi em terras lusitanas que cresceu, recebeu a sua educação
inicial e ingressou na ordem dos Cónegos Regulares de Santo Agostinho, vivendo
em Lisboa e, mais tarde, em Coimbra, onde aprofundou os seus vastos
conhecimentos teológicos.
O vínculo a Portugal é, portanto, o da sua génese, do seu
sangue e da sua formação intelectual e espiritual.
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O Apelo Franciscano e a Adoção
Italiana
A viragem na sua vida ocorreu quando os restos mortais dos
primeiros mártires franciscanos chegaram a Coimbra vindos de Marrocos.
Profundamente tocado, Fernando decide mudar o seu rumo:
junta-se à recém-criada Ordem dos Franciscanos, assumindo o nome de António e
envergando o hábito castanho com que é tradicionalmente retratado, como ilustra
a obra de Mário Silva.
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Partiu para Marrocos com o intuito de missionar, mas uma
doença fê-lo regressar.
Uma tempestade, no entanto, desviou o seu navio para as
costas de Itália.
A partir desse momento, a sua vida cruzou-se
irremediavelmente com a península itálica.
António conheceu São Francisco de Assis e revelou-se um
pregador de talento ímpar, multidões acorriam para o ouvir em Itália e em
França.
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Pádua: O Repouso Final
Foi na cidade italiana de Pádua que António passou os seus
últimos anos, desenvolvendo um intenso trabalho de pregação e assistência aos
mais pobres.
E foi ali, às portas de Pádua, que viria a falecer no dia 13
de junho de 1231, com apenas 36 anos.
A comoção na cidade foi de tal ordem que a sua canonização
pelo Papa Gregório IX ocorreu num tempo recorde de menos de um ano.
Assim, para os italianos e para o resto do mundo católico, o
taumaturgo ficou imortalizado como Santo António de Pádua.
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Um Santo Cidadão do Mundo
A disputa pelo "sobrenome" do santo reflete apenas
o amor profundo que ambas as cidades lhe nutrem.
Lisboa reclama-o como filho, o menino que ali viu a luz do
dia e se formou; Pádua reclama-o como pai espiritual, o homem que ali encontrou
o seu destino final e onde repousam as suas relíquias.
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Independentemente do epíteto geográfico, a imagem poética de
Mário Silva recorda-nos a verdadeira identidade do santo.
Mais do que de Lisboa ou de Pádua, Santo António é o homem
do lírio da pureza e do abraço ao Menino Jesus.
É um cidadão do mundo cuja mensagem de humildade, caridade e
conhecimento continua a ecoar universalmente, unindo devotos de todas as
latitudes.
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Texto & Fotografia digital (IA): ©MárioSilva
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