“Nossa Senhora de Fátima” - Mário Silva

 



“Nossa Senhora de Fátima”

Mário Silva






A fotografia de Mário Silva capta com solenidade a imagem de Nossa Senhora de Fátima venerada na Igreja de Águas Frias, em Chaves.

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A composição foca-se na estatuária clássica: a Virgem, de mãos postas em oração e terço pendente, enverga o seu icónico manto branco debruado a fios de ouro.

A imagem assenta sobre uma representação da nuvem, colocada num pedestal ornamentado de tons creme e dourados.

O contraste visual é marcante; a delicadeza e a brancura da figura divina destacam-se contra a parede de granito rústico, típica da arquitetura transmontana.

Ao lado da imagem, um pequeno jarro com lírios brancos simboliza a pureza e a devoção que a comunidade de Águas Frias dedica à "Senhora do Rosário".

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O Clarão que Venceu o Sol: O 13 de Maio na Cova da Iria

Era um meio-dia de luz mansa, aquele 13 de maio de 1917, quando o céu da Cova da Iria se rasgou, não por uma tempestade, mas por um brilho que a vista humana mal podia alcançar.

Ali, onde o solo é pedregoso e a vegetação se curva à resiliência das azinheiras, a eternidade decidiu tocar o tempo através do olhar de três crianças.

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Lúcia, Francisco e Jacinta — almas puras de pés descalços — viram o relâmpago sem nuvens.

Sobre uma pequena azinheira, suspensa no ar como se a gravidade não existisse para o que é sagrado, surgiu uma Senhora vestida de sol.

Era mais brilhante que o astro-rei, mas a sua luz não queimava; envolvia.

O seu manto era a brancura das nuvens mais altas, caindo até aos pés como uma cascata de paz, enquanto as suas mãos seguravam um terço cujas contas pareciam pérolas colhidas no próprio céu.

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A voz que emanou daquela aparição não era de trovão, mas de uma brisa que trazia um apelo urgente: a oração e a paz.

Num mundo flagelado pela guerra e pela dor, a Senhora vinha pedir o Terço, transformando aquela cova de pastoreio num altar universal de esperança.

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O aroma a terra e a mato misturou-se com o perfume da divindade.

Maria não trazia armas nem decretos, trazia apenas a promessa de que o amor vence o ódio e de que o sacrifício pessoal é a semente do triunfo do seu Coração Imaculado.

Naquele dia, Fátima deixou de ser apenas um lugar no mapa da Serra de Aire para se tornar o coração espiritual de Portugal, onde cada lírio que floresce parece ainda guardar o reflexo daquele clarão que, há mais de um século, fez o céu descer à terra.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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