"A viela"
Águas Frias – Chaves - Portugal
A fotografia captada em Águas
Frias (Chaves) por Mário Silva, apresenta uma ruela estreita e sinuosa numa
aldeia rural portuguesa.
O foco centra-se na arquitetura
tradicional de Trás-os-Montes, caracterizada pelas paredes de granito maciço e
irregular (pedra solta ou minimamente argamassada) à direita e no fundo.
À direita, domina uma imponente
escadaria de pedra maciça, gasta pelo tempo, que sobe para uma porta de madeira
antiga pintada de azul claro.
Ao lado da escada, cresce
vegetação rústica com flores amarelas, trazendo vida à pedra cinzenta.
Ao fundo, onde a ruela faz a
curva, vê-se outra casa de pedra com telhado de telha tradicional e uma porta
de madeira fechada.
À esquerda, a fachada de uma casa
mais antiga exibe reboco descascado e desgastado, revelando a pedra por baixo,
contrastando com elementos mais modernos como uma caixa elétrica branca e um
poste de luz que espreita no topo.
O céu é azul claro, indicando um
dia de sol forte, que cria sombras nítidas e profundas, realçando a textura das
pedras e a penumbra da viela.
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O Eco do Silêncio
na Viela
A viela não é apenas um caminho;
é uma cicatriz de pedra no rosto do tempo, um labirinto onde a memória da
aldeia de Águas Frias insiste em não se perder.
O título, simples e direto, é o
pórtico de entrada para um mundo onde o relógio parou e as pedras começaram a
falar.
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Em Trás-os-Montes, o granito é
mais que um material; é a alma calejada da terra.
À direita, ergue-se impiedosa a
parede rústica, um puzzle colossal de blocos que se recusa a ceder ao peso dos
séculos.
Nela, a escadaria de pedra maciça
não é apenas uma subida; é um convite a um mundo elevado, talvez já esquecido,
que culmina numa porta de madeira cansada, cujos tons azulados se despedaçam na
luz forte do sol transmontano.
O verde vibrante e o amarelo das
flores rústicas que nela se agarram são a prova de que a vida, teimosa,
encontra sempre um caminho entre as frestas da eternidade.
À esquerda, o tempo rói
impunemente.
O reboco da velha casa
descasca-se como pele envelhecida, revelando as camadas de história e a pedra
nua por baixo.
Há um diálogo silencioso e cru
entre o desgaste e a permanência, interrompido apenas pela caixa elétrica
moderna, um intruso tímido que nos lembra que o presente tenta, devagar,
habitar o passado.
E no fim do túnel de sombras,
onde a ruela faz a curva num segredo, vislumbra-se outra porta, fechada, sob o
mesmo céu azul profundo que tudo vigia.
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"A viela" não está
vazia.
Está repleta de silêncios que
gritam mundos, de portas que guardam ausências e de pedras que sabem ouvir.
É o lugar onde o tempo, cansado
de correr, se senta nos degraus de granito a ouvir o eco dos passos que já se
foram.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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