Cuco-canoro
(Cuculus canorus)
Esta obra da coleção de Mário Silva celebra o regresso da
primavera através de uma das aves mais emblemáticas e místicas da fauna
europeia.
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A fotografia apresenta um plano médio de um Cuco-canoro
adulto, pousado estrategicamente num ramo fino e seco que atravessa a
composição na diagonal.
A ave exibe a sua plumagem cinzenta-azulada na cabeça e no
dorso, destacando-se o padrão barrado de negro sobre fundo branco no peito e
ventre, que se assemelha à plumagem de uma ave de rapina.
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O cuco encontra-se de perfil, com o bico ligeiramente
apontado para cima e o seu caraterístico anel orbital amarelo bem visível,
sugerindo um estado de alerta ou o início do seu canto.
O fundo é composto por um céu azul límpido com algumas
nuvens brancas desfocadas, o que isola a ave e realça o detalhe das suas penas
e garras.
A iluminação é natural e suave, típica de um dia de
primavera.
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O Mensageiro da Primavera e o Eco da Tradição
O título "Cuco-canoro (Cuculus canorus)" remete
para muito mais do que uma classificação ornitológica; evoca a banda sonora
oficial do despertar da natureza em Portugal.
A fotografia de Mário Silva capta o protagonista de inúmeras
lendas e de uma das canções infantis mais queridas do nosso cancioneiro.
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O Canto que Anuncia a Vida
"Estava na floresta um cuco a cantar; por trás de
uma giesta ele pôs-se a cantar..." — estes versos populares ecoam na
mente de qualquer português ao observar esta imagem.
O cuco é uma ave migratória cujo regresso em abril é
ansiosamente aguardado no mundo rural.
O seu canto biconsoante — o famoso "cucu" — é o
sinal inequívoco de que o inverno terminou.
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A Analogia entre a Imagem e a Canção
A fotografia estabelece uma relação direta com a narrativa
da canção popular:
A Visibilidade do Invisível: Na canção, o cuco está
muitas vezes escondido "por trás de uma giesta".
Mário Silva, no entanto, consegue o feito de o encontrar em
campo aberto, num ramo despido, oferecendo-nos a visão rara de quem normalmente
apenas se faz ouvir.
A Postura Canora: A inclinação da cabeça da ave na
foto sugere o esforço de emissão do som que percorre vales e montes.
É o momento exato em que a "floresta" para, para
escutar.
A Simplicidade e a Nostalgia: Tal como a melodia da
canção é simples e repetitiva, a composição da fotografia é limpa e direta,
evocando uma sensação de nostalgia ligada à infância e à pureza do campo.
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O Cuco no Imaginário Português
Para além da canção, o cuco é alvo de crenças antigas:
diz-se que, se ouvirmos o seu primeiro canto e tivermos dinheiro no bolso, não
nos faltará sustento durante o resto do ano.
A obra de Mário Silva dignifica esta ave, muitas vezes mal
compreendida pelo seu comportamento de parasitismo de ninhos, focando-se na sua
beleza elegante e na sua importância como sentinela do tempo.
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Ao olharmos para este “Cuculus canorus”, quase podemos ouvir
o eco que vem de trás da giesta, lembrando-nos que, tal como na música, a
natureza tem os seus ritmos próprios e as suas vozes essenciais.
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"Ver o cuco é um privilégio de quem sabe esperar;
ouvi-lo é a certeza de que a vida se renova, verso a verso, canto a
canto."
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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