“As goteiras tipo canhões - Capela de Nossa Senhora das Dores” (Nozelos – Valpaços – Portugal)

 


“As goteiras tipo canhões

Capela de Nossa Senhora das Dores”

 (Nozelos – Valpaços – Portugal)





Esta fotografia de Mário Silva, captada em Nozelos, Valpaços, é um registo fascinante da arquitetura religiosa popular, onde a funcionalidade e a estética se cruzam de forma inesperada.

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A imagem foca a parte superior da fachada da Capela de Nossa Senhora das Dores.

O elemento de maior destaque são as duas goteiras monumentais em granito, esculpidas em forma cilíndrica e projetadas para fora da parede, assemelhando-se visualmente a canhões de uma antiga fortaleza.

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A fachada é de uma sobriedade elegante, exibindo uma cantaria de granito bem trabalhada, com uma porta de madeira encimada por um arco de volta perfeita.

No topo, uma cruz de pedra ergue-se contra o céu luminoso, ladeada por pináculos que reforçam a verticalidade do edifício.

A luz solar incide lateralmente, criando sombras profundas que realçam a textura rugosa da pedra e a mestria dos pedreiros que a moldaram.

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Sentinelas de Pedra — Os Canhões da Fé em Nozelos

Em Nozelos, onde o granito é o alfabeto com que se escreve a história, a Capela de Nossa Senhora das Dores guarda um segredo esculpido no tempo.

O título “As goteiras tipo canhões” não é apenas uma descrição técnica; é uma metáfora visual da proteção espiritual que este templo oferece à aldeia.

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A Guerra contra o Olvido

Estas goteiras, que do chão parecem bocas de bronze prontas a disparar, são, na verdade, sentinelas de silêncio.

Não cospem fogo, nem procuram o inimigo no horizonte.

A sua munição é a água do céu, que recolhem e lançam para longe dos muros sagrados, protegendo a fundação da fé contra a erosão dos invernos transmontanos.

Há uma poesia intrínseca no facto de um símbolo de guerra — o canhão — ser aqui transformado num instrumento de preservação e cuidado.

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As Dores Transformadas em Pedra

A capela, dedicada à Senhora das Dores, parece assumir na sua arquitetura a força necessária para suportar os fardos da vida.

O granito, pesado e eterno, contrasta com a leveza da luz que beija a fachada na fotografia de Mário Silva.

Os canhões de pedra são, talvez, a resposta dos homens às dores do mundo: uma guarda de honra que vigia a paz dos crentes.

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Um Legado de Cantaria

Ver estes detalhes é mergulhar no saber dos antigos mestres-pedreiros de Valpaços.

Cada goteira é um triunfo da forma sobre a matéria bruta.

Elas recordam-nos que, nas aldeias portuguesas, a beleza nunca é gratuita; ela serve uma função, protege uma casa, celebra um santo.

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Mário Silva capta o momento em que a pedra deixa de ser apenas construção para se tornar símbolo.

Em Nozelos, a fé não se defende com exércitos, mas com a solidez do granito e a vigilância mística destes canhões que, em vez de destruírem, apenas zelam para que a chuva não apague a memória do povo.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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