“Albufeira das Nogueirinhas”
rio Arcossó - Chaves – Portugal
Esta é uma belíssima composição
de Mário Silva, que capta a essência da paisagem transmontana com uma
sensibilidade notável.
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A imagem apresenta uma perspetiva
serena da Albufeira das Nogueirinhas, no Rio Arcossó, em Chaves.
Sob uma luz quente e primaveril —
o chamado "momento de ouro" —, a fotografia destaca-se pela clareza
do espelho de água, que reflete com precisão quase simétrica a vegetação e as
formas geológicas das margens.
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Dominam a composição grandes
blocos graníticos, típicos da região, entrelaçados com pinheiros e arbustos que
parecem emergir diretamente da água.
A paleta de cores é dominada por
tons de âmbar, ocre e verde-seco, conferindo à cena uma atmosfera de quietude
absoluta e uma harmonia profunda entre a terra e o rio.
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O Silêncio Dourado do Arcossó
Um ensaio sobre a Albufeira
das Nogueirinhas
Há lugares onde o tempo não
corre; demora-se.
Na Albufeira das Nogueirinhas, o
Rio Arcossó parece ter decidido suspender o seu curso para contemplar a própria
alma.
Nesta fotografia de Mário Silva,
não vemos apenas uma paisagem; testemunhamos um diálogo silencioso entre a
densidade da pedra e a fluidez da água.
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O granito, velho guardião de
Chaves, repousa à beira-mágua como um gigante que adormeceu ao sol.
Estas rochas, esculpidas pela
paciência dos séculos, encontram no espelho do rio uma dualidade inesperada: a
dureza mineral torna-se líquida, e o que é pesado flutua na superfície límpida
da albufeira.
É um jogo de duplos, onde o céu e
a terra se fundem num abraço cor de mel.
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A luz que banha a cena tem a
textura da memória.
É uma claridade que não fere, que
acaricia as copas dos pinheiros e doura as folhas dos arbustos que, teimosos,
mergulham os pés na frescura da água.
Há uma dignidade humilde nesta
natureza transmontana — não precisa de artifícios para ser monumental.
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Neste pedaço de mundo, o silêncio
é uma presença tangível.
Quase conseguimos ouvir o estalar
de um ramo ou o mergulho discreto de uma ave que rompe a perfeição do reflexo.
O Arcossó, nesta albufeira,
recorda-nos que a beleza reside na imobilidade, na capacidade de refletir o que
nos rodeia sem o perturbar.
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Mário Silva oferece-nos mais do
que um registo geográfico; entrega-nos um estado de espírito.
É a paz de quem conhece as
raízes, o conforto da luz que regressa sempre ao fim do dia para incendiar, com
suavidade, as margens da nossa identidade.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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