“Natureza - está a terminar a dormência”

 

“Natureza - está a terminar a dormência”




Esta fotografia de Mário Silva, é uma ode visual ao despertar subtil da paisagem transmontana após o longo sono do inverno.

.

A imagem apresenta um cenário bucólico e sereno, onde a água assume o papel de guia.

Um pequeno rego de água serpenteia alegremente através de uma pastagem verdejante, cortando o prado com a sua frescura castanha e cristalina.

À direita, um grupo de árvores de troncos esguios, densamente cobertos por líquenes e musgos, ergue-se como sentinelas do tempo.

.

Embora as copas ainda se apresentem despidas de folhagem densa, a claridade do céu e a vivacidade do verde da erva denunciam que a seiva começou a subir.

Ao fundo, a paisagem estende-se em campos abertos, delimitados por sebes naturais e muros de pedra, sob uma luz difusa que suaviza todas as formas.

.

O Sussurro da Terra: Quando o Sono se Transforma em Vida

O título desta obra, "Natureza - está a terminar a dormência", é um convite para escutarmos o pulsar invisível que ocorre sob a superfície do solo.

Mário Silva capta aqui o instante exato em que a terra deixa de bocejar e começa a respirar com novo fôlego.

.

O Despertar pelas Veias de Água

O rego de água que vemos não é apenas água em movimento; é o sistema circulatório da montanha que regressa à atividade.

O som do seu curso, que imaginamos através da lente, é a primeira melodia da primavera.

A água corre livre, alimentando as raízes que, durante meses, se mantiveram estáticas, protegidas pelo frio.

.

A Roupa Velha da Floresta

As árvores, com os seus troncos vestidos de musgo, guardam ainda as marcas do inverno.

Esse manto verde-acinzentado é a "roupa de dormir" da floresta, uma proteção resiliente que agora prepara o caminho para os primeiros rebentos.

Há uma dignidade profunda nestas árvores que, embora nuas de folhas, mostram-se cheias de estrutura e promessa.

Elas não estão mortas; estão apenas a aguardar o sinal definitivo do sol.

.

A Poesia do Limiar

Estar no fim da dormência é viver num limiar mágico.

É o momento em que a luz se torna mais generosa e a cor verde deixa de ser uma memória para passar a ser uma realidade dominante.

A fotografia recorda-nos que tudo na vida tem o seu ciclo: a pausa é necessária para que a explosão de vida tenha força.

.

Neste pedaço de chão transmontano, Mário Silva imortaliza a paciência da natureza.

É uma lição silenciosa sobre a esperança: por mais rigoroso que seja o inverno, a água acabará sempre por encontrar o seu caminho e as árvores, por mais cobertas de musgo que estejam, saberão sempre quando é hora de acordar.

.

Texto & Fotografia: ©MárioSilva

.

.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Picanço-barreteiro (Lanius senator) - a ave migrante empaladora - Mário Silva

   Picanço-barreteiro (Lanius senator) a ave migrante empaladora Mário Silva O Pequeno Carrasco de Barrete Ruivo A viagem fora longa e exten...