“Dia Mundial da Vida Selvagem”
Águas Frias – Chaves – Portugal
Esta fotografia de Mário Silva, captada para assinalar o “Dia Mundial da Vida Selvagem” (celebrado a 3 de março), é uma composição poderosa que ilustra a ténue fronteira entre a civilização humana em declínio e a resiliência do mundo natural.
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A imagem é dominada por uma raposa ruiva que surge em primeiro plano, no canto inferior esquerdo.
O animal, com o seu manto alaranjado vibrante, está parado numa zona de pasto, olhando diretamente para a lente com uma postura de alerta e curiosidade.
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Atrás da raposa, o cenário conta uma história de outros tempos: as ruínas de uma casa de pedra, já sem telhado e com as paredes fustigadas pelo tempo, sugerem um abandono humano antigo.
O pano de fundo é uma encosta imensa, densamente coberta por um bosque de árvores despidas (provavelmente bétulas ou choupos, dada a tonalidade clara dos troncos), cujos ramos finos criam um padrão vertical quase hipnótico que se estende até ao topo do monte.
A luz é fria e difusa, típica de um dia de inverno ou início de primavera no interior de Portugal.
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O Regresso dos Donos da Terra: Vida Selvagem entre Ruínas
O título desta fotografia, evocando o "Dia Mundial da Vida Selvagem", transporta-nos para uma reflexão necessária sobre o lugar que os animais ocupam num território que o homem decidiu deixar para trás.
Em Trás-os-Montes, este cenário é cada vez mais comum, e Mário Silva regista-o aqui com uma crueza poética.
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A Raposa como Símbolo de Adaptabilidade
A presença da raposa não é um acaso.
Este canídeo é um dos sobreviventes mais astutos do nosso ecossistema.
Enquanto o ser humano abandona as casas e as aldeias devido à dureza da vida rural ou à falta de oportunidades, a vida selvagem não vê "ruínas", mas sim novos habitats.
Para a raposa, aquela casa de pedra desmoronada é um abrigo; aquele campo abandonado é um local de caça.
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O Silêncio do Bosque
A encosta que se ergue ao fundo, com os seus milhares de troncos despidos, funciona como uma muralha natural.
Este "exército" de árvores parece estar a recuperar o terreno que outrora foi limpo.
No Dia Mundial da Vida Selvagem, esta imagem recorda-nos que a natureza não precisa de nós para prosperar; ela apenas precisa de espaço e silêncio.
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Coexistência e Respeito
A fotografia capta um momento de coexistência.
A raposa não parece assustada; ela reclama o seu lugar na paisagem.
O olhar do animal desafia-nos a repensar a nossa relação com o meio ambiente.
Celebrar a vida selvagem não é apenas olhar para documentários sobre savanas distantes; é reconhecer a importância de proteger os corredores ecológicos e a biodiversidade que resiste nos nossos montes e vales.
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Mário Silva, através desta lente, transforma um momento de observação animal num manifesto visual: a vida selvagem é a verdadeira herdeira da terra, persistindo com dignidade mesmo quando as nossas construções se transformam em pó.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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