“A esquina” - Águas Frias – Chaves - Portugal

 


“A esquina”

Águas Frias – Chaves - Portugal




Esta fotografia de Mário Silva, captada em Águas Frias, Chaves, é um estudo minimalista sobre a geometria da arquitetura popular e a pátina que o tempo deposita sobre as cores da aldeia.

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A imagem foca-se no ângulo superior de uma habitação tradicional, onde duas fachadas se encontram sob um céu de um branco difuso.

O edifício ostenta um tom amarelo ocre vibrante, embora marcado por manchas e sinais de desgaste que revelam a sua idade.

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Duas janelas de madeira com molduras escuras e pintura descascada pontuam as paredes: uma mais pequena à esquerda e outra maior à direita, esta última com alguns vidros partidos.

O telhado de telha tradicional é rematado no vértice por um pináculo de barro esculpido, um detalhe ornamental típico que confere nobreza à silhueta da casa contra o horizonte.

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A Esquina: Onde o Tempo se Dobra

Há uma dignidade silenciosa nas esquinas das nossas aldeias.

Não são apenas o encontro de duas paredes; são o ponto onde o caminho muda de direção e onde a memória, tal como o sol de março, escolhe onde quer incidir.

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O Olhar das Janelas Cansadas

Nesta "esquina" de Águas Frias, as janelas funcionam como olhos que já viram passar gerações.

A madeira, despojada da sua cor original, e o vidro quebrado contam histórias de invernos rigorosos e de verões que tudo secam.

Por ali, talvez tenham espreitado as mulheres da terra nos seus dias de festa, ou o pisco tenha procurado abrigo num entalho da moldura.

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O Ocre e o Barro

O amarelo da fachada é um grito de luz.

É a cor que resta quando a magnólia rosa perde as pétalas e o pomar termina a sua floração de neve.

No topo, o pináculo ergue-se como uma sentinela, um símbolo de orgulho rural que aponta para o céu, ligando a terra firme ao infinito, tal como as chaminés de tijolo vizinhas.

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A Geometria da Saudade

Esta esquina é um rincão de paz.

Enquanto a água corre no regueiro e a galinha Ameraucana percorre o prado verde, a casa permanece imóvel, segurando o seu ângulo contra o vento.

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Mário Silva capta nesta imagem a essência do "ser transmontano": a resistência do que é antigo, a beleza do que está gasto e a certeza de que, em cada esquina de pedra e cal, mora uma parte de todos nós.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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