“Que Gente é esta?!! Que aguenta gélidos invernos, infernais verões, o isolamento territorial, político, administrativo, económico ... e ainda assim, …resiste" Mário Silva

 

“Que Gente é esta?!! 

Que aguenta gélidos invernos, 

infernais verões, 

o isolamento territorial, 

político, administrativo, económico 

... e ainda assim, …resiste"

Mário Silva


Esta é uma imagem poderosa que capta a essência do Nordeste Transmontano.

A fotografia de Mário Silva não é apenas um registo meteorológico; é um manifesto visual sobre a sobrevivência e a identidade de um povo.

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A composição de Mário Silva confronta-nos, em primeiro plano, com a crueza do inverno: ramos despidos e cristalizados, onde pingentes de gelo (as famosas "carambinas") pendem como garras transparentes, sugerindo uma paragem no tempo.

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Ao fundo, a paisagem abre-se num anfiteatro de montanhas onduladas, cobertas por um manto de neve que funde a terra com o céu nublado.

Entre o branco dominante, vislumbram-se os telhados de uma aldeia, pontos de resistência humana num cenário que parece expelir a vida.

A luz é fria, mas a nitidez da imagem transmite uma solidez inabalável.

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O Milagre da Raiz: A Resiliência Transmontana

"Que Gente é esta?!!" – a pergunta de Mário Silva ecoa como um grito num desfiladeiro.

É uma interrogação que não espera uma resposta estatística, mas sim um reconhecimento de alma.

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Nas terras de Trás-os-Montes, o tempo não se mede por relógios, mas pela têmpera da pele.

Esta é a gente que aprendeu a ler o céu antes de ler as letras; que sabe que o "inverno de oito meses e o inferno de quatro" não é uma maldição, mas o molde onde se funde o caráter.

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O Gelo que Não Quebra

Onde outros veriam isolamento, o transmontano vê soberania.

A fotografia mostra-nos o gelo que pesa sobre os ramos, tal como o esquecimento político e económico pesa sobre estas latitudes.

No entanto, tal como o ramo que verga, mas não quebra sob o peso da carambina, esta gente possui uma elasticidade espiritual rara.

É uma resistência feita de granito e silêncio.

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A Política da Terra

Enquanto os centros de decisão se perdem em mapas e folhas de cálculo, ignorando a distância e a carência administrativa, o povo transmontano governa-se com a lei da partilha.

É a resiliência de quem planta hoje o que talvez só os netos colham, de quem mantém o lume aceso na lareira da tradição para que o frio do mundo moderno não lhes congele a memória.

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O Triunfo da Vontade

Resistir aqui não é um ato político barulhento; é um ato de amor quotidiano.

É a teimosia de querer ser de algum lado quando o mundo nos empurra para lado nenhum.

É a dignidade de quem, perante a imensidão das montanhas nevadas, se mantém firme, sabendo que a sua raiz é mais profunda do que qualquer camada de neve.

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Que gente é esta? É a gente que faz do "pouco" um "tudo", e do isolamento a sua mais bela e inexpugnável fortaleza.

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Trás-os-Montes não é o fim do mundo; é o lugar onde o mundo se mantém autêntico.

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Texto & Fotografia: ©MárioSilva

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